O grito e seus informes
o grito
é incontinência
presa solta
da paciência
dói, nos atos,
como fardo casual,
estilhaço de verbos
em decúbito vocal
o grito discursa o alvoroço
de verbos reticentes
que esquecem nos fatos
os braços do que sente
Matemáticas lides
matemático
o número sabe
desfazer-se de si
em negativas marcas
quadradas
as raízes
operam razōes
em seus limites
meus números
apenas dizem
os quantuns de mim
que ainda vivem
Fluvial demanda
o rio,
abraçado às margens,
rasga o ventre do mundo
tangendo a paisagem
tudo que lhe corre
é só um tempo
de tornar-se mar
nos ombros do vento
os rios de mim só(correm)
todos meus pensamentos
tange-los ao mar
é paisagem recorrente
Temporais acasos da vida
quando manhãs
as noites que sinta
ria largo do tempo
e seus labirintos
deixe-se no espaço
dos futuros que possa
voe as tardes nos olhos
como intensas gaivotas
tudo que abraça a vida
é só um descuido das horas
Dragão do Mar
Chico da Matilde,
vestido da história,
construía o tempo
no alvoroço das horas
dragão do mar,
dava-se à simetria
de ter-se humano
nas áfricas que vivia
tudo que era o futuro
em suas mãos já vivia
Do vaqueiro em escalada
na caatinga,
nos bemóis de seu grito,
o vaqueiro tange a vida
como um boi subentendido
e nesse laçar o tempo
nas veredas que habita
o vaqueiro joga seus laços
nos sonhos que exercita
o boi é só um transeunte
dessas estradas oníricas
Do vau da vida
cabe no homem
qualquer caminho
aqueles que constrói
e os que adivinha
achar o largo vau
no rumo dos passos
é um molhar-se de si
em tudo que abrace
esparramar-se na vida
é só um jeito de enfrentar-se
Dos mares de mim em curso
incógnito,
nas sombras,
meus mares sonham
esse tanger as ondas
nas praias de todos,
dão-se ao discurso
desse choro convulso
das águas do futuro
é como beber-se o tempo
e trazer-se urgente como uso
Palestinas pátrias
Toda manhã
tem um quê de palestina
de um tempo desordenado
que a luta às vezes ensina
em ter sempre no peito
esse jeito de oficina
que constrói um amor desregrado
pelo viés exato da vida
como se fora um infinito
guardado no bolso da camisa.
Palestinos e palestinas
somos em dias e vida
num tempo desprevenido
em que o homem caminha
ao contrário dos sentidos
vendo o que já não come
morrendo o que já não vive
como se viver fosse tanto
quanto olhar o que se disse
Palestinos seremos todos
no dia tanto da vida
quando o homem caminhe livre
todas as pátrias que viva.
Do viver em códigos
haverá um tempo
em que o tempo
não será um código
de contar os tempos
em solilóquio
porque de tê-lo
só como invólucro
dar-se-á à vida
um destino lógico:
viver desde quando
não se meçam os detalhes
pedras impeditivas
das ondas da vontade
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.