o poema jazia no livro como um verbo largo definitivo
nos olhos, o homem pressentia as páginas viradas no colo da vida
o poema e o homem entornavam o dia
12
Notícias em vazão vivente
no jornal da vida sempre publico os atos do futuro em que me digo
trazê-los revoltos na vontade é só um trejeito de alguma liberdade
as larguras do sentir são manchetes vastas dos futuros que alinho no frontispício da alma
16
pareceres em inverso rumo
a aparência é lapso vestimenta ingênua do fato
dá-se aos olhos, assim lúdica, como privada feição do que é público
arrastá-la à lógica da contradição é permiti-la sim mesmo que não
14
Andares alheios
na multidão estou composto: um tanto de mim o todo do outro
dou-me ao passo do andar alheio nos ombros da estrada em que me atrevo
nada como trafegar sem as curvas do medo
15
Vivente natureza em humanos gestos
de oito bilhões ditos viventes restem como multidão tão impunemente assim como razão por que se sente um jeito exato de povo preso em correntes na vital contradição de cada consequência
oito bilhões é só um tempo de arranjar o pensamento e trafegar a vontade no colo intenso do vento
oito bilhões é só um dizer da natureza dando fala de si no colo de si mesma
16
Ritmada menção à vida
a cadência da vida é descompasso entre o tanto de mim e as vezes que me falto
cantá-la em vagas construindo o rumo é como dar-se ao tempo nos braços do mundo
a vida é só um contrato com as cláusulas de tudo
86
Ferroviárias moçōes do verbo
o trânsito das palavras é quase um algoritmo de mostrar nos homens os becos do infinito
arrastadas, no trem do verso, carregam emoçōes como um vagão moderno
tudo que as levam à mente são os trilhos do universo
91
Do Galo em concerto
o Galo da Madrugada enche a rua de tanto que o povo engole a vida com o frevo na garganta
e os bemóis traduzidos escritos, nos pés, na dança, escrevem o peito do povo nas partituras da esperança
o mundo caminha a pauta das claves que o homem planta
42
Matinal partida em onírica perda
travo a manhã nos olhos insones, no colo da noite nos restos de sonho e debruço o tempo, renitente, no lastro dos ombros
a manhã, vadia e urgente, enche de luz o enredo da noite tangida impunemente dos mares em que adormeço
94
Da coletiva noção do verbo
a poesia, súbita, flutua o verbo nas cachoeiras lúdicas dos rios do cérebro
volátil, sólida e mágica, deixa-se exata em todas as ilações em que é plástica
senti-la ação coletiva é derramar-se nas palavras e conduzi-las pelo tempo sem o ego em que se lavra
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.