Ancestrais de mim em minudências
debulho meus ancestrais em cada gesto como um contínuo viver de tantos séculos e humanizo-me a cada conclusão de que sou partícula da imensidão o tempo reside em mim em cada légua do meu chão
Legislação em espécies e tramas
a lei, deitada em letras, entorna nos homens uma ordem alheia tudo que proclama, em decibéis armados, é uma clara continência a todos os seus brados a legalidade humana, como uma lei avulsa, promulga-se nos homens como artigo da luta
Verbos em esvoaçante trama
no peito dos homens dorme a cláusula: todos os verbos tramitam na alma no grito dos homens viajam avulsos todos os futuros que voam no discurso pássaras serão as palavras voadas no exato curso de quem veste o tempo sem a dívida do seu custo
Alternâncias
a vida segue suga e saga levita dramas nas palavras o verbo assim, arma transita o medo pela alma deixar-se vivo é morrer-se lentamente no colo da calma
Dos caminhos em povo recorrente
na praça o povo avança a cada grito de cada esperança monta sua luta em sonhos vastos dos tempos que tange como um recado o futuro é um beco largo da vontade como trabalho
Da caatinga em clara jornada
a caatinga, assim paisagem, pedaço da pátria recolhida, revolve em si militantes das longas curvas da vida e nesse dar-se à vista como sobrevivente constrói um jeito de si nos olhos de quem sente a caatinga é um morno abraço alinhavado em seus viventes
Verso em meias medidas
o verbo dói o verso na frase súbita do inverso daquilo que a palavra é um fato desconexo da simplicidade da fala da cumplicidade do universo o infinito ainda cabe assim contrito nos tons que o verbo leva consigo
Palmares em futuro gesto
o homem com a África na face debulha a memória dos vincos de Palmares navegando risos Zumbi projeta todos os futuros em que se gesta o tempo é só um detalhe nos caminhos da espera
Da matéria em largo trânsito
na curva da existência em ensaios lúdicos a matéria transborda seu destino público vaza transformações como um meio-fio largo e enche de emoções as mudanças de seus átomos ao homem resta comemorar a virtuosa leveza desse fato
Afazeres egóicos em lances
o ego é um descompasso entre o público e o privado tudo que navega é um mar revolto e a estranha mania de dizer-se em alvoroço transitar as regras do mundo nessas ondas do tempo, no trajeto intenso da vida, é arrumar-se por dentro.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.