dos encômios do futuro em nação corrente
em cada abraço haverá a certeza de que a paz inteira abraça a natureza em cada homem haverá a medida da nação humana construindo a vida e nos ombros do tempo pousará uma nave infinita
Amazônica incursão
o Amazonas deitado na mata finge ser rio nos mares que desata lambe o mundo em sua plástica desenhando nas águas sua ânsia de astronauta o Amazonas é só um militante de todas as pororocas nada do que lhe atinge cerrará imune suas portas
Gerência das horas em largo riso
quando a noite vier que o tempo salte como um pássaro cantante nas rugas da face e deixe-se errante pelos risos que nascem de todos os rompantes que a vida grasse o acúmulo de horas é apenas disfarce de quem ri a história pela própria face
Lago dos cisnes em detalhe
no palco, desarvorado, o cisne cambaleia as curvas de seu fado suas asas, naus amarguradas, voam todos os voos dos bemóis em que se cala e de repente, o cisne voa tanto que a bailarina desmaia e deixa os sonhos do povo voando pela sala
Temporais divagações ensimesmadas
será o tempo só um conceito do espaço não medir-se no eterno do seu jeito? assim posto corrente nos ombros claros da luz chega a perder-se lento no espaço que o conduz o tempo é só um distrato posto assim à contraluz
Infante enlace do medo
rasgando a noite, bólide intruso, a coruja tece os ares sobre os ombros do muro pousa em galhos íntima de tudo e solfeja mortífera seu pálido discurso o menino, em rasante enredo, sonhando apariçōes, conta aos olhos o seu medo
Dos bordados anônimos do universo
a nuvem atômica, no espaço, brincando de infinito emudece a via láctea em seu próprio grito no telescópio a imagem, no homem, pulsa todas as ilações da intensa e virtuosa luta a vida é a distância exata entre o universo e sua tecitura
Recomeços recorrentes
os restos da vida, que vagarem em mim, não serão despedidas, lembranças do fim serão consumidos com a exata compostura de quem abraça em si mesmo uma grande luta o riso será a estrada dos caminhos do futuro
Do poema em poeta corrente
ao poema cabem os voos mergulhos compassados no insubstituível esforço de gramaticar a alma em alvoroço ao poema cabe o poeta como astronauta itinerante de todas as palavras em que se plante a retórica é só um modo de consumir o horizonte
Volteios verbais em íntima cena
despachando verbos, em sua sina, a mente atira todos os dardos nas miras do que sente no dizer, em pontaria, encapa a palavra com o molde das vidas em que se lavra a mente larga-se no tempo como um gesto escancarado nesse permitir-se ao homem gritar-se compassado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.