Poema em fala
retórico
o poema apalavra
os ilações que tenta
em sua lavra
deita intenções
nos verbos que incauta
desenhando leirões
semeados na alma
o poema atiça ilusões
na concretude da fala
Da capoeira em transe
a capoeira
desenha no espaço
as gingas da vida
nos passos que delata
como fora um rompante
das veias da África
o berimbau pulsante
em fala montado
compassa o infinito
com o discurso dos passos
Dos outubros ainda vigentes
outubro
detalha no tempo
passeatas do povo
no ventre dos ventos
rasga a história
como um repente
lapsos do futuro
que consente
o homem
consciência da matéria
constrói-se transeunte
engenheiro das idéias
Das voliçōes inesperadas
o desejo
sotaque da matéria
em traduzir-se volátil
quando idéia
pulsa no cérebro
resgate da vida
passeata de sonhos
em desmedidas
o homem soletra-se no desejo
nos verbos de sua oficina
Eletrônica menção
os elétrons
na rapidez do curso
jogam-se matéria
no futuro
nos lapsos do passo
caminham mágicos
na pequenez exata
de negativas marcas
eletricamente posto
grassa o equilíbrio
das energias tácitas
do infinito
Das pautas transitivas da matéria
a matéria
em seu grave rito
basta-se ampla
trejeito do infinito
dada como tanta
na parcimônia vasta
de quem se inventa quantum
subterrâneo astronauta
a matéria é um absoluto
em relativa pauta
Contradita em material aporte
o amanhã
será um tanto
curvas das retas
gritos dos cantos
será avulsa
permanente
nos palmos das mãos
nos infinitos que tente
a matéria pulsa
controversa e ardilosa
os futuros exatos que consente
dos metros da vida
cheio de mim
assim contrito
dei-me ao trânsito
de alinhar o infinito
te-lo nos tantos
em que se apouca
consumindo as métricas
em que se encontra
despeja-lo aos poucos pelos mares
na multidão de suas ondas
Da rabeca em fala repente
a rabeca discursa
uma saudade voante
das arábias que traz
nas cordas que canta
como se fora um nordeste
assuntando o horizonte
rasga o mundo pelo passo
escritos no chão do povo
como se fora um compasso
da vida criando o novo
Saudade em lapsos
a saudade
escorre do peito a vontade
nesse deixar-se líquida
pela face
rio do tempo
dá-se a enchentes
nas rugas das horas
do que sente
a saudade é trem descarrilhado
nos trilhos da gente
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.