Das feições da vida
a vida
gesta simbólica
apenas desata
o custo do que posta
dada ao curso
de dizer-se porta
engana o tempo
em sua lógica
a vida é tanto da matéria
urdindo o tricô da história
Estaçōes em conluio vigente
haverá primaveras
que verão invernos
tempos que a vida
construirá urgente
todas as estaçōes
que o povo tente
o sol
escanchado no espaço
sorrirá as horas
em todos seus compassos
o futuro fundará apenas
o quintal de todos os abraços
Debruços do poema
viajante
a matéria decide
as regras de tudo
em que insiste
a estrada
consumida de nexos
resume a volição
de seus processos
o poema
é só um gesto
debruçado nas razōes
do seu poeta
Factual remanso
o cérebro
rasga o ato
de ser lâmina
do fato
dói em si
sujeito operante
veias do tempo
circunstante
grava-se real
lua quântica
pico da idéia
em que se planta
vital medida
nesse engenho manso
a vida é pouca
nos degraus do tanto
em que parece toda
palmilha os trilhos
nesse trem imenso
em que a matéria coletiviza
sua consciência
a vida é um naco do tempo
postada avulsa no infinito
Origem em vazão concreta
a origem
é só trajeto
dos fins que teima
pelo universo
dita início
como traço histórico
é só ilação
dos infinitos que posta
o fim
ao avesso
é só um seguir
do novo começo
Saudade
meus pedaços
afrontam a noite
inventando sonhos
na saudade que permito
gerente de mim
desobedeço a vida
na contradição intensa
de sentir o tempo
em convalescença
as horas do mundo
dormem tua presença
caminhada
de tudo que se diga tanto
posto num tempo descampado
recolha os ventos em que se posta
como um arbítrio do espaço
em dizer-se marca registrada
da gesta humana nos abraços
percorra inteiro todo o mundo
como embrião da nova safra
construída assim urgentemente
na luta convergente que se trava
a vida é só uma tratativa
dos futuros postos na estrada
em que passos ressoam coletivos
nas costas da natureza desbravada
Íntima metragem
no jeito do infinito
dou-me às léguas
transeunte militante
da matéria
como se fora tanto
resumo da vida
amor arquitetado
pelas avenidas
as âncoras do peito
boiando ao vento
são borboletas jogadas
pelo pensamento
Gestos do tempo
as manhãs
rasgam o tempo
e tangem a noite
mansamente
em suas brechas
o sol bailarino
enlaça o horizonte
certo do infinito
até que a tarde
debruçada na vida
abra todas as portas
que a noite consiga
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.