Dos mares de mim
o mar, deitado na noite,
quando debruça na areia
canta teu riso no tempo
nas ondas que penteia
o retrato largo da vida
desenha um grande abraço
como se fora um concerto
nos braços do passado
teu jeito enche o mundo
no balançar dessas águas
Tráfegos do tempo
a solidão
pulsa o passado
nave dos teus olhos
voando meu abraço
dívida do tempo
um tanto constrangido
em deixar de viver
teus infinitos
nos becos do futuro
trafego em tudo
teu unânime manifesto
atravessado no mundo
Do poema em corredeiras
o poema
molha os sentidos
nas cachoeiras verbais
em que insiste
rio verbal
da-se às margens
insistente infrator
dos limites da paisagem
o poema é enfeite
filigrana da realidade
é, às vezes, dói no poeta
quando embrulhado na saudade
Do correr da vida
guardo o tempo
em todos os laços
das horas de mim
nos ombros do passado
a vida engana
os futuros que instaura
espalhando a saudade
nos limites da alma
desenhando nos braços
a solidão da tua falta
Das luas da vontade
a lua brincando no céu
fez-se tão bailarina
que ensaiava os olhos
iluminando as esquinas
o tempo vaidoso
brandindo sua forma
jogava a noite na vida
desenhando as horas
assuntando a vontade
busco a cada instante
as luas dos teus olhos
nas vias do horizonte
do coração em fala
no lugar de fala
o coração transita
entre o pulso da razão
e os becos da vida
trama a saudade
largo argumento
bordados do passado
pelo pensamento
o tempo é só placebo
esconderijo urgente
das filigranas do medo
Material labuta
o outro
posto em tudo
é só um detalhe teu
inscrito no mundo
espelho imanente
na social textura
a diversidade iguala
a diferença que pulsa
o outro retrata a matéria
na sua humana busca
conversas do poema no raso da saudade
no colo da tua falta
o verso quase sentia
as letras embaralhando
os rumos todos da vida
o poema conversando
tangia manso a saudade
como um recado mudo
nos braços da tempestade
e o tempo doía tanto
nas brechas dos minutos
que o infinito se encolhia
para caber em meu discurso
Da engenharia dançarina da alma
o tempo,
com tua lembrança,
é só mais um passo
dessa longa dança
jogo da vontade
curso do passado
pensando futuros
onde ainda cabe
o amor constrói viadutos
inventando estradas
a alma quando engenheira
arquiteta a saudade
Dança
enfeitei de você
minha lembrança
como fosse o sonho
uma imensa dança
jogada assim pela vida
passo ensaiado
de todos os amores
que plantamos no espaço
os meus enfeites do mundo
dançam sempre teus compasso
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.