Dos metros dos fatos
a noite veio
embrulhada
num tempo solto
pela alma
vasta condição
da encruzilhada
equação avulsa
desmatemática
de repente
como um mudo grito
a vida discursou em mim
teu infinito
Onírico resumo
o sonho
talvez não caiba
na saudade plantada
no colo da alma
mesmo infinito
em suas margens
o onírico instrumento
descabe
tudo que não lhe mede
são as léguas em que caibo
tempos que arquivei
cheios de tua face
Noturna ilusão
as estrelas
dormindo o espaço
brilham teus olhos
nos meus lapsos
a razão
ensimesmada
dança os sentidos
pela madrugada
a memória, como um dardo,
capta o sonho como fato
enormemente estendida
na fome de meus braços
Construção II
nos ombros do tempo
como hora urgente
inventamos o amor
adredemente
lapidado nas falas
jogado nos ventos
semeando palavras
pelo pensamento
verbos grávidos da vida
plantados na gente
Ainda o amor
alinhavado a cada hora
costuramos nosso tempo
como um abraço profundo
pelo pensamento
os sentidos
transeuntes da vida
eram os pergaminhos
dessa intensa escrita
hoje cabem como herança
dessa lógica infinita
derrame do amor em ondas
nos mares em que milito
Do amor pulsante
o amor pulsa
mesmo avulso
todas as veias
todos os cursos
navega os olhos
inventa o mundo
na identidade lúdica
do discurso
a lembrança joga o tempo
nos espaços de tudo
Das aldeias de mim
nas matas de mim
atravessando os sentidos
continuo militante
de todas tuas tribos
inteiramente indígena
fundo as aldeias
onde a saudade viverá
na correnteza das veias
e deixo-me curumim
nos ombros do tempo
farsa temporal da vida
invenção do pensamento
Andanças
dou-me ao tempo
com a certeza exata
que todas tuas horas
agendam minha alma
caminho a tristeza
com nesgas de riso
por saber-te sempre
abraçada comigo
o amor é uma instância
das teimosias do infinito
Dos avarandados vitais
na varanda da vida
o mundo deu-se à vontade
de passear no meu peito
tua intensa eternidade
assim como um pássaro
rabiscando o infinito
em um desenho exato
das cores do teu riso
e vejo o tempo sonhando
navegante de mim mesmo
inventando-me amante
das ondas desse enredo
Do tempo em medidas
os amanhãs
serão menores
os ontens que trago
são enormes
o tempo de ti
tinha a compostura
de uma hora mágica
que andavamos nas ruas
meu tempo, agora,
é só um pesado jeito
de inventar você
dentro do peito
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.