AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

561

Lembrança II

a saudade
passado renitente
advoga futuros
no presente
redemoinhos de fatos
nos ombros do tempo
exato circunlóquio
de pensamentos

12

Lembrança I

a saudade
passado renitente
advoga futuros
no presente
redemoinhos de fatos
nos ombros do tempo
exato circunlóquio
de pensamentos

11

Marítima paisagem

assim calmo
o mar balança
dança na areia
suas ondas
o tempo
refestelado
joga as horas
pelo espaço
o homem
meio à deriva
pensa suas ondas
abraçado à vida
10

Enferma jornada

no hospital
a vida cogita
todas as razões
em que milita
a vontade
acamada
pulsa emoções
sonhando estradas
as veias
em fogoso púlpito
deixam-se vias
do humano uso
16

Cachoeira em trama

a cachoeira
lavando o tempo
despejava as horas
como um lamento
o leito
adormecido
ajeitava a jusante
nos ombros do rio
o menino
sonhando destinos
alinhava seus olhos
nos ombros do infinito
12

Do ócio infante

os dias
eram tantos
que o tempo dormia
pelos cantos
as tardes
eram nuas
mostravam aventuras
nas faces das ruas
as noites
eram depósito
de guardar a felicidade
no sono tão lógico
11

Galope no raso da tarde

no cavalo
sem rédeas
o menino galopa
as idéias
o vento
abraçando o tempo
espanta o espaço
e o pensamento
a caatinga
bafejando a tarde
encosta no galope
cheia de saudade
12

Cosmos em terrena pose

em decúbito dorsal
terreno astronauta
o menino sonha estrelas
na noite da galáxia
cada astro
como oferenda
salpica o peito de luz
como uma sentença:
a vida será um vasto cosmos
escondido no vão da natureza
e o vento espalhará seu canto
cheio de dúvidas e de certezas
13

Kant(ificando)

Kant divisava
imperativos avulsos
farpas disseminadas
projeção dos discursos
ousava traze-los
na quitanda filosófica
assim como bandeira
tremulando concórdias
a vida
por seu âmago lógico
era só um imperativo
da natureza em seu ócio
20

Infante velhice

minha infância
foi o paradeiro
onde estive ancião
em jovens medos
a vontade
era o brinquedo
de rumar a vida
como enredo
quando provecto
dei-me ao cedo
em todos os tardes
em que me inscrevo
14

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado