AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
314 593 Visualizações

Marítima alusão da vida

no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro

atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho

Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

561

Lembrança II

a saudade
passado renitente
advoga futuros
no presente
redemoinhos de fatos
nos ombros do tempo
exato circunlóquio
de pensamentos

14

Lembrança I

a saudade
passado renitente
advoga futuros
no presente
redemoinhos de fatos
nos ombros do tempo
exato circunlóquio
de pensamentos

17

Marítima paisagem

assim calmo
o mar balança
dança na areia
suas ondas
o tempo
refestelado
joga as horas
pelo espaço
o homem
meio à deriva
pensa suas ondas
abraçado à vida
16

Enferma jornada

no hospital
a vida cogita
todas as razões
em que milita
a vontade
acamada
pulsa emoções
sonhando estradas
as veias
em fogoso púlpito
deixam-se vias
do humano uso
20

Cachoeira em trama

a cachoeira
lavando o tempo
despejava as horas
como um lamento
o leito
adormecido
ajeitava a jusante
nos ombros do rio
o menino
sonhando destinos
alinhava seus olhos
nos ombros do infinito
17

Do ócio infante

os dias
eram tantos
que o tempo dormia
pelos cantos
as tardes
eram nuas
mostravam aventuras
nas faces das ruas
as noites
eram depósito
de guardar a felicidade
no sono tão lógico
17

Galope no raso da tarde

no cavalo
sem rédeas
o menino galopa
as idéias
o vento
abraçando o tempo
espanta o espaço
e o pensamento
a caatinga
bafejando a tarde
encosta no galope
cheia de saudade
15

Cosmos em terrena pose

em decúbito dorsal
terreno astronauta
o menino sonha estrelas
na noite da galáxia
cada astro
como oferenda
salpica o peito de luz
como uma sentença:
a vida será um vasto cosmos
escondido no vão da natureza
e o vento espalhará seu canto
cheio de dúvidas e de certezas
17

Kant(ificando)

Kant divisava
imperativos avulsos
farpas disseminadas
projeção dos discursos
ousava traze-los
na quitanda filosófica
assim como bandeira
tremulando concórdias
a vida
por seu âmago lógico
era só um imperativo
da natureza em seu ócio
25

Infante velhice

minha infância
foi o paradeiro
onde estive ancião
em jovens medos
a vontade
era o brinquedo
de rumar a vida
como enredo
quando provecto
dei-me ao cedo
em todos os tardes
em que me inscrevo
19

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado