Descampados
o descampado da alma
é assim como um jeito
de espalhar pelo mundo
a solidão dos desejos
deixá-lo na ventania
que o pensamento drapeja
é como uma sinfonia
de que se perde o enredo
varrê-lo pelo mundo
é construir pelo peito
abraçado com o tempo
os andaimes do desejo
Pública via
a vida
sempre custa
sua bula pública
herança única
de vivê-la lúdica
trazê-la privada
às escusas
é dá-la escondida
ao tremor das ruas
a vida é jogo da razão
em todas suas luas
Correntezas
no colo do teclado
o poema gravita
entre o verbo, o tempo,
a gramática e a vida
solto no juízo
no vão das letras
joga pelo crânio
todas as capoeiras
o poema
de repente
é só um rio
dentro da gente
Dos laços da vida
o braço
é só o laço
de dizer o mundo
no abraço
às vezes
sem compasso
perde-se no vento
em desabraços
em tudo
dá-se ao pulso
de jogar-se combatente
no colo do futuro
Réguas compassadas
meu compasso
no vão da vontade
é largar-me vário
mesmo unidade
e do dizer-me tanto
restar-me em pouco
quando atravessado
nos caminhos do povo
o poema alinhavado
é só um indício
das razões que tangem
meu ofício
dos quebrantos da alma
a alma
é tão sucinta
quanto os infinitos
que pressinta
medi-los
como subjetivos
mascara o fato
de senti-los
a alma é só um recado
que a matéria traz consigo
Sofridas andanças
universal
a matéria insiste
em dizer-se farta
quando triste
o sofrimento
vil moeda
dá-se por troco
quando pesa
o homem
universo de si
decreta-se triste
materialmente por aí
Rio em definição restrita
o rio,
veia da mata,
desenha o mundo
em suas águas
as cachoeiras
que prolata
molham indígenas
e os ombros de Gaia
verso fluvial
nem percebe
o infinito de si
em que se mede
Telegrama em dispersão
o telegrama
corria o tempo
como uma notícia
solta nos ventos
o recado
jazia em código
morse como um relâmpago
sem vozes
a vida
sem algoritmos afônicos
navegava o tempo
como correio platônico
Temporais arquivos
na pedra
arquivo do tempo
medra avulso
quase um sempre
tê-la aos poucos
grávido depósito
alimenta as horas
num consenso lógico
tramita-la bólide
nos ombros do vento
é fazê-la pássaro
em voo obsceno
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.