Medidas
a vida solta no tempo
é um grande conchavo
entre as léguas de si
e todos os seus palmos
joga-la nos sentidos
é quase um aviso
que a matéria dá a si
nos ombros do infinito
Possessivas lavras
dos possessivos
tenha-se a lógica
de doer em todos
em instância própria
vigem apenas
até o limite
em que o mundo admita
que esteja em riste
apontando a estrada
que a matéria insiste
em deixar-se de todos
nas posses do infinito
Dos limites dados
o limite da vida
há de ser consumido
não apenas na morte
como fato indivíduo
genérica
como afã da matéria
o infinito transita
em todas suas teias
esforço coletivo
de um viver infindo
o limite dá-se a meias
como ilusão de ritmo
Materiais andanças
viajante do mundo
dê-se ao exercício
de viver-se tantos
mesmo indivíduo
ter-se único
nesse coletivo
curso da matéria
em seus indícios
construir-se amontoado
na humana jornada
mania intransigente
da matéria auto declarada
Das vias do passado
a memória
busca o tempo
no escafandro loquaz
do pensamento
dobra os sentidos
nas razões que inventa
discurso introvertido
passados que intenta
o presente é só navegar
os rios do que se sente
as caravelas do peito
tangem o futuro impunemente
Da humana construção II
a vida
é propaganda
anúncio de todos em si
na humana trama
do conjugar o vão do povo
em matéria e chama
nos invólucros do tempo
estampados na lembrança
que o mundo espalha em si
nessa eterna dança
Ode ao samba
o samba
cerzido na alma
derrama a vida
nos bemóis que fala
transeunte urgente
desce aos pés
como luta urgente
que o tempo faz
tangendo a dor
o riso que projeta
invade como povo
as faces da terra
Da saudade letrada
no meio da saudade
recorrente enredo
nas costas da vida
vivo o que escrevo
a palavra
é apenas o leito
caminho exato
dos passos do meu peito
os destinos do tempo
são andorinhas furtivas
que voam a saudade
nos arredores da vida
Universo em larga ida
o universo
meio contrito
passeia em nós
os ares do infinito
dá-lo como findo
nos palmos da vida
contradiz as léguas
em que habita
um dia haveremos de tê-lo
quase compreendido
nessa mania da matéria
de brincar de infinito
da vigência dos atos
que os ventos
solfejando a vida
tragam pelo tempo
os braços que consiga
os que nasçam da luta
os que medrem justiça
derramados assim pelos fatos
abraçados nessa lida
de remoer a matéria
em todos os seus vincos
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.