Sombras
as sombras
sobre o mundo
discursam luzes
sobretudo
cabem-lhes a coxia
aguda afirmação
do quanto do claro
escondem em vão
a luz,
atriz reluzente,
é só um espalhafato
que a matéria sente
Das metragens subjetivas
há indícios:
as poucas quantidades
dão-se a infinitos
tudo que as medem
em claro arbítrio
constroem largos
todos seus milímetros
há que dize-los tanto
o homem a seu juízo
sentindo o que de vasto
caiba nos degraus do seu ofício
Das verbais feituras
no largo da pena
o verso tramita
nas teclas de mim
subjetivas
em larga cena
a palavra agita
os nervos que pode
metafísica
dou-me ao termo
jogado nos olhos
de alinhar os verbos
enquanto posso
Assalto verbal
o poema,
verbo em punho,
assalta o poeta
em pleno sono
a noite
falsa testemunha
decreta o dia
nos olhos insones
as palavras
em sonolento mutirão
decretam passeatas
pelo coração
Rio Capibaribe em vias e veias
no Capibaribe
o nordeste passeia
rio de todas as léguas
águas do povo na cheia
como se fora um protesto
das vias, vozes e veias
no Capibaribe
a história e o povo admitem
vê-los todos derramados
nos futuros que permitem
Paisagem etílica
no copo
borbulhando
as palavras voam
pássaros e planos
a vontade
molhada de cerveja
capenga passos
nos vincos da mesa
o homem
pássaro etílico
inventa amizades
com o infinito
Ferroviária jornada
o trem,
pisando os trilhos,
anunciava caminhos
em seus ritmos
a paisagem
surpreendida
pintava quadros
nas janelas da vida
o menino
adiantando o destino
palmilhava todo o trem
com os passos do riso
Métrica ilação do tempo
quando forem manhãs
as tardes que eu não possa
queira o tempo arrumar-se
nas horas que me convoque
navegar momentos
sem as rédeas do mundo
dificultam o galope
nos ombros de tudo
saber-se navegante
das horas que consiga
pressupõe todas as réguas
das léguas todas da vida
Imagens
o espelho, imparcial,
dá-se ao conforto
de mostrar-se imagem
sem alvoroço
as ilações
que os olhos pintam
são apenas comentários
gravados nas retinas
a tentativa
de ver-se diferente
é só uma ilusão
de quem só sente
Dos pincéis da vida
na Praça da Pedra
o pincel discursava
tinta e coração
formando palavras
em cada um
saltando da vida
o futuro sentido
em todas as medidas
tangendo a noite
a tarde inaugura
no peito dos homens
o sabor da luta
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.