Do Mundo Rainha em prontidão
dentro da noite
a África aponta
todos os vieses
do horizonte
mundo rainha
debruçado
nos braços do tempo
solto no espaço
ave originária
gesto desatado
dos ventos do futuro
em voo plástico
dos sempres que trago
nos roçados de mim
vige a semeadura
um plantar recorrente
dos sempres que aturo
traze-los permanentes
na balança dos atos
deita-me nos mares
em privado barco
singro a vontade
nesta permanência
de quem se repete grato
pela vão da consciência
Lebedev em voo pátrio
sem terra
Lebedev vivia
um cosmos avulso
um gosto do vazio
o peso das horas
refletia
um tempo disperso
da alegria
Lebedev navegava sua pátria
em mares que desconhecia
Materialidade vocabular
a palavra
é apelido do fato
dize-la como som
é artefato
de tanger o verbo
em atos falhos
a vida é intensamente maior
que todos os recatos
Humano apiário
a colmeia
grava a abelha
na coletiva sanha
da matéria
como nave
da-se à tarefa
usina de mel
em larga gesta
a humana colmeia
ciente da floresta
constrói a vida
como gesto da matéria
Das faltas do mundo
o pessimismo
acoberta palavras
atos falhos vocais
escritos na alma
o mundo
solto das palavras
é exercício fugaz
do que declara
o homem caminha inexato
o curso raso das falas
Das vezes esquecidas
às vezes,
a vez não sabe
decidir-se alternativa,
postar-se pela face
consumir-se como vida
nas medidas que cabe
às vezes,
a vez esquece
que o tempo é sempre
o que o homem tece
nas vielas do mundo
em que acontece.
Circunstancial menage
a noite
em falsa centelha
dá-se como dia
no brilho das estrelas
o espaço
embrulhado no tempo
espalha ilusões
no pensamento
o homem
pretensamente lógico
sonha as dimensões
do seu propósito
Candomblé em ritmo
o tambor
soletra a alma
em cada frase
que declara
energia,
dá-se ao ritmo
despejar recorrente
de latentes precipícios
pertinaz,
tem-se arbítrio
de espalhar o tempo
pelos sentidos
Alvíssaras em permanência
a tristeza perambula
ruas do presente
dívida futura
alegria penitente
gasta pela face
em vasta inadimplência
assim nasce
nas brechas da mente
sinapses invertidas
adredemente
a tristeza é só um riso
esquecido do contente
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.