Antiga caminhada
Para mim
o velho
tangia o passo
boiada conduzida
do cansaço
a vontade
posta em pernas
dava-se bailarina
em suas léguas
o velho
andarilho militante
era em si um foguete
em voo rasante
Mar(ciano)te
de Marte, no foguete,
cósmica vazão do tempo
o oceano trincheira
escapa do pensamento
dá-se acabado
nas ranhuras da vida
nessa fome lógica
que a mudança decide
existente
nas fendas do passado
intromete respostas
nas perguntas que traça
Vivência provecta
no meio da vida
o tempo vadia
quase uma veia
como uma via
veículo da voz
de quem vigia
a vívida equação
do que sentia
e nas larguras do dia
navegar as horas
ancorado na alegria
repetida sofrência
o mal deixa-se mal
quando fato vigente.
As vésperas de si,
quando na mente,
tra-lo-ão nascido
contra(o)tempo
elástico inventário
vazio, prematuro,
recorrência incauta
dos laivos do futuro
Dos saldos vitais
dou-me assim
aos ágios da vida
construção de juros
nos futuros que consiga
habitando o tempo
como pássaro recorrente
no voo pleno das horas
exato combatente
e nos meandros vitais
possam estar impressas
as jusantes de mim
que todos atravessem
Felinas passagens
o gato
premeditava o salto
na fronteira da noite
com o telhado
o céu
intensamente claro
dizia desenhos
pelo asfalto
a gata
miando ao espaço
fingia estar sozinha
esperando o salto
Conjugada fala
a voz
monta a palavra
como um adorno
no vão da alma
fluido
o verbo ausculta
os sentidos postos
na escuta
conjugadas
na intensa lida
as almas discursam
os verbos da vida
Cifrões em ma(n)rcha lenta
o cifrão
deitado na máquina
retira dos medos
sua plástica
o dedo
em digital postura
encomenda cédulas
em sua lavratura
o homem, aprisionado,
digita cifrões
e chora seus saldos
das metragens vitais
dos metros de si
largados pela vida
mede-se o tempo
régua consentida
larga metragem
mundos que vagam
sonhos em léguas
postos nas estradas
os anos assim como sementes
brotam os roçados da alma
Saga digital
no celular
travestido
o olho ensaia
digitais sentidos
o tato
incontido
viaja na tela
todos os motivos
a razão
em saga explícita
arvora os bytes
da crítica
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.