Verso em moderna praça
moderno
o poema engenha
derramar-se na página
como um desenho
a palavra
em pose retorcida
dissemina letras
com pedaços da vida
o verbo
nas brechas da figura
intensamente pintado
argumenta poesia e quadros
Da constância dos fatos
a realidade
antevista no horizonte
descreve-se vária
em sua fonte
a vontade posta
na curva das horas
decreta jornais
e larga-se na história
o fato,
intensamente real,
dirige o mundo
em cada ato
Dos humanos firmamentos
a lua minguante
é só um disfarce
que o olho monta
cheia de si
na verdade esconde
as luas esquecidas
nos céus do homem
jogadas no espaço
como incauto relâmpago
nas nuvens que tramitam
o firmamento humano
Medições da vida
medir o tempo
tem-se como artifício
os foguetes da vida
tornam-no arisco
o medido no corpo
estanca os sentidos
consumir as horas
em seus caminhos
é armazenar o tempo
em privado escaninho
e usa-lo na saudade
como acervo peregrino
Operária razão do mundo
o suor
riacho do homem
brilha na manhã
molha a fome
como uma nave
as mãos empinam
e jogam pela fábrica
os ritos de oficina
o operário
na construção de tudo
lavra a manhã
grávido do mundo
Vívida trama
a vida
quem a tenha
em contradita
encontre verbos
contrapartidas
e todas as mortes
que assim a digam
nessa aventura inédita
da jornada dialética que consiga
a vida, quem a tenha, viva
navegando seus oceanos
em todas as medidas
Reminiscência
o mar
alvoroçado
abraçava as pedras
em líquido abraço
o menino
mergulhado
boiava seus sonhos
no abraço
Olinda tangia o tempo
com o mar em sobressalto
Camponesa refrega
o camponês
abraçando a terra
esculpe o espaço
em sua gesta
nos leirōes
postos em prumo
derrama sementes
grávidas de futuro
o camponês bolina a terra
como amante do mundo
das guerras internas
a paz interior
é coisa recorrente
da guerra adormecer
dentro da gente
humano
o embate acontece
nas vontades baldias
do que se esquece
o armistício vige inteiro
nas públicas batalhas
introjetadas no peito
Nordestina senda
a caatinga
deitada no tempo
abraça o espaço
de repente
coisa de ser vasta
no peito dos viventes
estratégia sinuosa
dos rumos que estende
a caatinga é bandeira
dos cactos que consente
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.