Do Homem Gebelein
o Homem Gebelein
navega o passado
transeunte das horas
futuro derramado
múmia
dá-se à urgência
de compulsar as horas
em que se contenha
conterrâneo do tempo
habita a saudade
dos Egitos que viveu
na eterna idade
Africanas lembranças
a África
lateja incessante
nas curvas da razão
de humano habitante
deixa-se pelas faces
como noite adormecida
e nos vincos da mente
de quem tem a vida
monta o passado
como herança dada
aos universos humanos
que pulsam as estradas
Da paixão em trânsito
a paixão
é só rompante
alicerce do depois
base do antes
baila no homem
como retraço
na construção diuturna
do conjunto passo
o amor
é o claro resultado
do condomínio erguido
nos terrenos do abraço
Da razão em passos
dado à razão
como tributo
o fato jaz completo
inerte, absoluto
as sinapses
transmissão do ato
carecem da exatidão
em seus compassos
a fímbria do real,
inteiramente elástico,
acomoda-se na mente
com todos os percalços
Jornada em matinais recados
as manhãs
conduzem o recado
do sol claudicante
nos ombros da tarde
dão-se à velhice
página do tempo
clara certeza
do renascer isento
tardo as manhãs
quando intento
deixar de morrer
e renascer no tempo
Madrugada in vitro
a madrugada faz cócegas
com a noite nos ombros
como um riso do tempo
lembrando seus sonhos
desemboca no homem
como foz onírica
e jaz pela cama
abraçando a vida
no colo dos ares
furando o infinito
os pássaros declaram
a cidade amanhecida
da história como farsante
a fala, como história,
engendrava segredos
atalho das palavras
alinhavando o medo
o menino
disperso na mente
tangia a razão
impunemente
o homem, flechado,
tangendo-se infante,
afasta a escuridão
e seus rompantes
Etária consecução
aos oitenta
dou de mim como tanto
o lento deslizar das pernas
o enredo exato de criança
o tempo, navegado,
semeado pela carne
nunca esquece o útero
nos nados da vontade
vive-lo adredemente
é só um certo alarde
que a vida constrói sempre
naquilo em que se cabe
Pescador em sonhos enredado
a vela
abraçando o vento
inventava estradas
nas jangadas do tempo
o pescador
remando a saudade
inventava sonhos
no meio da tarde
o mar
inteiramente desatado
jogava ondas por decreto
rindo o sol em suas águas
Dos temporais da alegria
a emoção
chovia os olhos
como temporal
do seu avesso
a manhã
debruçava um riso
nas escaramuças
largas do tempo
o homem vigia pleno
nessa alegria molhada
esparramada no peito
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.