declaração em coletiva nave
existo
tudo que me diz
é o ofício
de trazer-me único
mesmo coletivo
existo
tudo que me tange
é o indício
de que o futuro vige
no meu grito
consumi-lo com todos
é o único tempo que consigo
jornada intrínseca do tempo
o futuro
como máscara preventa
despacha nos autos
dos rasos da consciência
larga-se no passado
assim posto no presente
como fora um tempo
construído adredemente
os fatos montam no espaço
as horas do que se tente
Das andaduras reais
o jeito da manhã
demanda o futuro
como um desagravo
à existência de muros
o tempo explode
dentro das vontades
tremulando urgente
pela liberdade
o homem escreve a vida
como natureza que se invade
Travessias
navegando a cama
no oceano do sono
o homem dá-se mudo
aos estampido dos sonhos
escaramuças da vida
tecidas em rompantes
como se fossem recados
colocados em estantes
o homem transita onírico
as inadimplências dos instantes
Fome em metragem
a fome,
arde como chama
adrede postagem
metahumana
círculo insólito
de lucro e drama
viga das ruas
monetária trama
até que o futuro obedeça
aos limites do humano
Do Araguaia em cobrança
o Araguaia, revolto,
ainda guerrilha,
dói nas entranhas
e nas avenidas
e nem importa
que panfleto seja
o poema transcrito
dizendo a natureza
é que a verdade e o verbo
adredemente escondidos
precisam ser discursados
nas andaduras da vida
Dos avulsos bólides
dado assim ao espaço
bólide incontroverso
o foguete ilude o tempo
nos espaços que adestra
finca-se no cosmos
como um brinquedo
de perscrutar o infinito
e desmanchar o medo
inventa assim pelo homem
o voo exato do seu rito
de ser cérebro da natureza
apesar de tão contrito
Do futuro manifesto
já sem armas,
as mãos de todos
empunharão a alma
num grande alvoroço
no largo da história
o tempo, construído,
inventará espaços
nas brechas do infinito
os homens raiarão as horas
na intimidade dos dias
e a exata compleição
da liberdade da vida
Privados rincões
meus rincões
traçados a muque
denunciam os sertões
do quanto eu pude
lanhados em sóis
em chuvas distantes
deram-se aos futuros
como prematuro transeunte
os sonhos de seus arquivos
navegaram todos meus instantes
Machu Picchu avante
Machu Picchu
deitado na cordilheira
tremula a América
como uma vasta bandeira
grávido da história
espalha um jeito manso
como fosse uma certeza
ancorada nos Andes
Machu Picchu é invento
de tudo que nos tange
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.