Ego em cênica tese
o ego derrapa
em todas estradas
que viaja
tudo que lhe tange
é a máscara
de ter-se tanto
quando nada
o ego é só fração
dos números que cala.
Poemaetário
o laço da vida
braços do tempo
acobertam os anos
que temos por dentro
vive-los aos pulos
em novos inventos
é tecê-los intrusos
pelo pensamento
como asas do futuro
de pássaros urgentes
o voo atravessado no mundo
é o tanto de ser vivente
Do acaso
o acaso
posto como avulso
é só um lapso
do discurso
tudo que o deixa tanto
é não deixar-se em uso
nas quânticas fugas do tempo
em que não deixou-se o futuro
o acaso é largo transeunte
quando sentido em seu curso
Poema a Dinalva Conceição
a bala
nem sabia
que Dinalva
não morria
seus olhos
fitavam a história
como um abraço
impresso na memória
e o dia
com o jeito do sempre
bordou Dinalva
nos ombros do tempo
Martelo introjetado
o martelo agalopado
no contracanto do verbo
é assim como um recado
traçado a pau e a ferro
que no tapete da língua
desliza o dom da palavra
como se fora um presente
que o nordeste espalha
e o cantador esculpindo
a paisagem do seu interno
despeja um som peregrino
nas costelas da américa
cantar é só um instinto
a que o homem se entrega
rural memento
a enxada
beijando a terra
rasga a pátria
num carinho agrário
dos leirōes que medram
o camponês
regente confesso
escreve de si no roçado
como se fora um verso
o tempo pacato
na sua rural textura
alinhava as horas
nos ombros dessa luta
Paisagem matinal
farsesca
a manhã desponta
com restos da noite
em suas sombras
o bem-te-vi,
entoando loas contritas,
assuntando o tempo,
tenta acordar a vida
e o homem, na calçada,
em larga inadimplência
tenta acordar da fome
em sua magra paciência
poema em franca distopia
que o poema
viva o ritmo cabralino
de parecer descaso
do que seja íntimo
que o poema
dê-se ao exato ofício
de por em dúvida
as léguas do infinito
e que despeje destroços
de seus indícios
nas larguras que traga
nos verbos que consiga
o poema quando ainda é laço
é distrato vigente dos nós da vida
Retrato citadino
na fila, como postes,
largados pelas rua
os homens transitam
verdades e culpas
as dos débitos da fome
as dos créditos da luta
a realidade,
em voo rápido,
inunda a manhã
com seus contágios
humanos abraçados à vida
convivem todos seus percalços
e desabrocham a história
com a incerteza nos braços
Etária minudência
o relógio
não entende o alarde
dos ponteiros do homem
transitando a idade
falta-lhe o senso
de dar-se confuso
em trafegar o presente
sofrendo do futuro
o relógio pari passu
é só o presente em largo curso
lembrando o passado
aprontando o futuro
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.