Lua em privada posse
a lua
em mergulho inato
deixa-se no céu
como recado
esvoaçante
nos olhos da amada
vê-se como oferta
do namorado
a lua nem desconfia
desse mister privado
Da gira em candomblé falante
o atabaque
travando a fala
espalha verbos
no chão da sala
as pernas
dançantes peregrinas
giram a vida
em busca de destino
o redemoinho humano
como uma forja imensa
explode esconderijos
no vão da consciência
Do poema em voo e trâmite
o poema,
torna-se autor, em riste,
nos sonhos do poeta,
das alegrias que insiste
andorinhas verbais,
palavras são matizes
dos tempos ancestrais
nos futuros que dizem
o poeta apenas as engaiola
com os voos que finge
Líquida moção da vida
a vida é açude
nada-la em travessia
intenso mergulho
é vivê-la espalhada
nas ondas sonhadas
dos ombros do futuro
e nesse líquido compasso
molhada de alegrias
deixa-la arrebentar todos os muros
o tempo de vive-la como nado
é somente o jeito de dize-la em tudo
Verbais cometimentos
subo nas estrofes
em verbais disputas
como se as palavras
fossem minha culpa
o poema só espreita
nos desvãos da mente
a hora de arrastar-se
como uma serpente
e o jeito de dizer-se
como pensamento
desemboca minha vida
na cachoeira do que penso
Vital jornada
como não ter ânimo
se a vida brinca
nos neurônios?
usina de si,
nessa larga senda
a vida (des)acontece
como humana moenda
coisa de inventar o mundo
na esteira do que tenta
ou prostrar-se confusa
em dizer-se avença
abraçar-se com o tempo
é seu jeito de presença
Parto
do líquido,
navegante,
o feto inventa-se
transatlântico
atravessa a mãe
em súbito rompante
e deixa-se na vida
ainda itinerante
os mares do futuro
forjam a esperança
de que serão os portos
dessa nova andança
Das andanças do futuro em rasa norma
o amanhã
é exercício
dos hojes vividos
em comício
os discursos dos atos
os fatos consentidos
o amanhã é escola
um futuro descampado
o tempo é vadio
quando não aconselhado
Futuro em largo manifesto
havera um dia
com manhãs isentas
em que se derrame as horas
sem a parcimônia do tempo
haverá uma tarde
em que será a norma
determinar que os homens
construam juntos a história
haverá uma noite
em que todo pensamento
boiará no sonho de todos
como um coletivo sentimento
Pacífica intrusão
a paz,
guerra consentida,
cabe aos homens
derrama-la na vida
pelos trincos do mundo
nos ombros das avenidas
a paz
é discurso exato
das guerras consumidas
no abraço dos fatos
tudo que a constrói
é o roldão desses atos
os que demarcam a luta
os que apertam seus laços
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.