Palavras a Soledad Barrett Viedma
tuas veias
serão estradas
no futuro exato
do que lutavas
tua morte
tremulará a história
como uma bandeira humana
nas andanças das horas
teus poemas
habitarão insones
as vias da lembrança
no coração dos homens
do homem em fardos próprios
o desejo
traspassa a vontade
num gesto ontológico
de liberdade
dá-se a tanto
como embrulho lógico
das funduras do ser
em gesto óbvio
o desejo constrói-se homem
como natureza em ato próprio
humanos rompantes da natureza
a idéia, plástica,
deixa-se chama
astronave lógica
dos vãos da alma
o mundo veste o homem
com sua múltipla farda
de soldado natural
em civis jornadas
a idéia é coletiva sanha
em sinapses privadas
Construção
a felicidade
é um trânsito
entre o homem
e seu ânimo
constrói-se, avulsa,
em paisagem magra,
quando jaz propaganda
nos ombros das palavras
ousá-la arquiteta de si
é trazê-la como arma
transeunte frequente
das ruas da alma
Parahyba em líquida menção
o Sanhauá
lambendo Parahyba
inventava nas águas
um disfarce de vida
como se fora um mar
deixado à deriva
a canoa
em passos navegantes
fingia seu caminho
como um transatlântico
o pescador, remando o tempo,
guardava as horas no pensamento
Das humanas jornadas divinas
deus
ensimesmado
dera-se a tudo
ou fora dado
nessa ânsia bruta
de ter-se
ou tê-lo incontrolável
o homem,
ensimesmado,
deu-se à paixão
de tê-lo acomodado
operando a quântica intenção
de declara-lo
Histórica vazão
crente de si
a história estica
as léguas de tempo
em que habita
futura-se passada
no presente que lida
nos gestos do povo
que conjuga a vida
a história é só uma manhã
com tardes escondidas
Da esperança em trajeto
a esperança
é um futuro quântico
tudo que a move
é o ânimo
alinhava-la aos fatos
como intensa fala
é maneira vigilante
de escolta-la
deixa-la perambulando
em vincos da memória
é como derrama-la inepta
nos ombros da história
Passeata em curso prestante
no leito da rua
como uma ferida
o jeito da luta
dói a vida
a multidão
dá-se à andança
resumindo nos passos
a coletiva dança
o futuro apenas ressona
um gesto itinerante
como se abraçasse
o tempo à distancia
verbais instintos das letras
palavras
são estopins
ou já mordaças
tudo que as monta
sempre declara
o viés exato da vida
em que se instala
tece-las como neutras
é exercício inócuo da fala
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.