Dos futuros insubmissos
sofrer do futuro
é viver o presente
como se fora um passado
inconsequente
o vindouro,
como momento,
é só o arcabouço,
um disfarce do tempo
a vontade apenas arquiteta
as construções que se sente
Gaia em humano sentir
a onda,
em pretensa calma,
jogava o tempo
nos ombros da praia
o pensamento
em intensa fala
rebocava palavras
no muro da alma
a paisagem tangia o homem
como autogestão de Gaia
Mescla vivente
a tristeza
é só descompasso
que a alegria permite
em seus saltos
dizê-la adrede
em cada investida
é enganar o riso
nas costas da vida
a construção do ser
nos vincos do tempo
cabe na vontade e nos atos
pelo pensamento
Direçōes soníferas
o silêncio enchia a noite
como um verbo mudo
tangendo as pálpebras
sobre a face do mundo
o sonho,
no avesso do tempo,
derramou-se quântico
nos degraus do pensamento
e a vontade, embutida no sono,
espalhava sinapses aos ventos
Da concreta fala
a palavra
intenta fatos
debruçada no tempo
dos vazios da alma
dói nas faces
como se fora faca
nos verbais palanques
que desata
a ação verbaliza
nos músculos do ato
todas as palavras
que desarma
Do Velho Chico em trânsito
no remanso do corpo
o São Francisco declara
a paz intensa do povo
no riso de suas águas
quase como um poema
verseja ondas pelos ventos
nordestina estrofe montada
nas paisagens que comenta
o São Francisco pousa no mundo
como um abraço no tempo
Dos cangaços de mim
coiteiro de mim,
dou-me ao cangaço,
de guerrilhar a vida
em todos os abraços
nos sertōes do tempo,
na liquidez das horas,
palavras são armas
de afagar a história
o amanhã é só a trilha
em que o futuro se joga
Onírica jornada
no raso da manhã
assim como um triz
o sonho desmanchou-se
numa cicatriz
o homem,
descampado
deixou-se do sono
aos pedaços
e arrumou na mente
o sonho em cacos
do rumo do destino
a estrada,
veia do futuro,
aponta o destino
em seu curso
tece-lo nos passos
como construção
é passea-lo contrito
em sua amplidão
deixa-lo soltar-se
em sua vontade
é distrato do rumo
da liberdade
Do poema em larga estrada
e se o poema
der-se à razão
de transitar palavras
à contramão?
e se o mundo
deitado em suas curvas
der-se ao pessimismo
de suas contraturas?
talvez o verbo
em sumular postura
dê-se à condição
de vestir-se da disputa
e embrenhar-se inteiro
na verdade literária da luta
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.