Voo manifesto
o beija-flor,
em bailarino gesto,
preenche-se do palco
dá-se ao universo
e, infinito em suas asas,
escreve um manifesto
nesse segundo
em que, astronauta, tramita
inventa recorrente o mundo
em que se bebe a vida
Dimensōes em resenha manifesta
tudo
é um infinito comprimido
habitante dos nadas
que entornam os sentidos
a dimensão
é só um gesto
que o espaço esquece
no tempo, em manifesto,
coisa de permitir
as réguas e os restos
no homem cabem todos
os tudos, os nadas e os protestos.
Das larguras da humana lida
reatar o tempo
a seus princípios
e move-lo humano
em seus indícios
como se fora a história
um longo enredo
em que jogaram todos
à espera de si mesmos
o homem e o futuro
conjugados sem medidas
espalharão infinitos
nos palmos de suas vidas
Vital permanência da vontade
a vida
dói aos poucos
quase um martelo
na bigorna do corpo
o sonho,
viés anestésico,
entorna endorfina
da cachoeira do cérebro
o tempo é só um engano
nas oficinas do medo
na construção de seu modo
a vida sempre caminha um enredo
Verbal semeadura
o poema
afaga a palavra
nos conchavos que faz
no vão das almas
o poema
alinha palavras
como um roçado semeado
nos fatos que arma
o poema nem bem nasce
e no poeta desaba
há novas semeaduras
nos verbos em que se lavra
Ode a La Paz
La Paz, sob meus pés,
como um Andes derramado
era um indígena contando
todos os meus passos
a montanha,
lúdica e urbana,
bebia meus olhos
em latina trama
La Paz, distante, ainda habita
todas as minhas chamas
Fluvial comento
o rio,
veia do mundo,
inventa seu ritmo
nas margens de tudo
dá-se aos oceanos,
no afã de viajante,
transeunte largo
de estuários e pontes
o rio transcorre íntimo
da natureza e seus planos
Todas as veias vivas
toda via
traz a vida,
todavia,
o combate anuncia
as léguas de si
que pronuncia
no rompante contraditório
que a luta prenuncia
toda via,
gera toda vida,
todavia,
há que construir o povo
nas veias do dia
Do povo construtor em atos
o povo inventa o tempo
alinhando o espaço
da história que tramita
a vida com seus laços
tudo que lhe reclama
é o ajuste do compasso
entre a parcimônia da luta
e a abrangência dos fatos
tudo que lhe declama
é um poema exato
urdido em vivos verbos
com o suor de seus braços
Telemático firmamento
a nuvem
tramita um tempo
como um arquivo inexato
de dados e pensamento
o mouse, submisso,
aponta incólume
as variantes fartas
de telemáticos bólides
a vida caminha
a estrada insone
até que reinvente
a prevalência dos homens
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.