Onírico tricô do mundo
atemporal
da-se o discurso
de alinhavar o presente
nos ombros do futuro
nas curvas da vontade
filigranas dos gestos
consumir esperanças
nos goles do tempo
navegar as manhãs
nos mares dos fatos
dormir todos os sonhos
impunemente acordado
Gaza em curso
Gaza invadida
esgarça a vida
abraçando a morte
nas avenidas
dá-se à tarde
como um tempo cedo
em construir andaimes
de transpor o medo
um dia, escrita na luta,
a história far-se-á futuro
soletrando a verdade
na cara larga do mundo
Herança vigente
atravessado em mim
o ancestral tramita
todos os arquivos
herdados da vida
como se fora corrente
de elos infinitos
joga no tempo
as rugas da herança
construindo na matéria
sua eterna dança
Alheia jornada do eu
nessa usina
de viver o outro
arma-se a construção
do humano esforço
esse terçar a vida
como um coletivo esforço
de pulsar a matéria
em seu auto alvoroço
nada como as léguas do tempo
navegando os metros do novo
Armação da vida
das veias do braço
dá-se a logística
de arrumar o tempo
no colo da vida
engenheira sagaz
de civis intentos
a vontade arma
o vão do pensamento
a vida é construção exata
das filigranas do tempo
Armação da vida
das veias do braço
dá-se a logística
de arrumar o tempo
no colo da vida
engenheira sagaz
de civis intentos
a vontade arma
o vão do pensamento
a vida é construção exata
das filigranas do tempo
Identitário trajeto
interajo,
tudo de mim
é a exata proporção
em que me basto
largado nos confins
de quem abraço
interajo,
nada de mim
deixa o coletivo
sou um tanto do outro
por ser indiviso
coisa de ser autuado
nas brincadeiras do infinito
Geográfica reminiscência
o mapa do tempo
geografia da vida
curvas e limites
da vontade medida
rastro das horas
tecidas no homem
nos tricôs cometidos
no que consome
a lembrança é só península
do mapa lúdico do homem
Paisagem
a árvore sobre o homem
nos braços do tempo
traça sua sombra
nos atalhos do vento
beija a terra
num desenho lógico
no descampado exato
do seu vegetal solilóquio
o homem dormindo na paisagem
arruma seu sonho como ócio
Pindorama avulso
caminho do tempo
a terra regurgita
todos os punhos
que lhe safam a vida
dilacerada, avulsa,
nos campos do mundo
traveste-se de grito
nas faces de tudo
o homem resvala de si
a cadência do futuro
em dizer-se quociente
dos arreganhos do lucro
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.