Vigência lunar em caminhada
a lua
avulsa no cosmo
inventa desejos
no vão dos olhos
no tráfego virtual
do céu à mente
constrói os íons
em que se consente
a lua nem se imagina
transeunte da gente
Das andanças do verbo
o poema
é um rio de palavras
jogado em corrente
na jusante da alma
o verbo assim admite
nos montantes que consiga
alinhavar o sentimento
nos escaninhos da vida
o poema é procissão do verbo
à procura de avenidas
idéias em trâmite
voando intensa
como bólide urgente
a idéia pousa unânime
nos braços de quem sente
virtual e plástica
dá-se aos músculos
como itinerário humano
das vias do futuro
a idéia é matéria militante
das passeatas do seu uso
Vívida tramitação
a vida
navega o tempo
relatório lúdico
das escaramuças do peito
flui indecisa
no pensamento
como se fora indício
das dúvidas do senso
a vida é uma vontade indormida
dos sonos todos da gente
Em torno da verdade
a verdade
debruçada na vida
mais que caminho
é vasta guerrilha
fato desfeito no verbo
de incauta narrativa
vige no homem
na estranha matemática
de percebe-la punho
nos redemoinhos da prática
a verdade é um abraço intenso
da militância do fato
Vacum armistício
o boi
em armistício
rumina a paz
vacum indivíduo
o vaqueiro
intenso sentinela
arquiteta o galope
quase em guerra
o cavalo
suposta viatura
descansa nos cascos
a demora da luta
Vozes da alma
a alma
é só um lapso
dos rumores de mim
dentro do fato
navega o tempo
em seu compasso
no fazer-se urgente
em sobressalto
as ondas do rio que navega
beijam margens que declaram
como fora iminente
sua necessidade de fala
Das peças do infinito
o tempo
é um espaço fictício
como fora brincadeira
das curvas do infinito
resvala nas horas
empedernido
transe virtual
de seus sentidos
dar-se assim relativo
nos cosmos em que cabe
é só conveniência
da velocidade
Das ranhuras da crença
a vela
dança o fogo
como uma língua
em alvoroço
o homem
prostrado no tempo
da-se à intenção
do pensamento
a vida, em matéria tanta,
constrói, incauta, a esperança
como se o futuro velado
fosse apenas uma dança
Das contrações do tempo
nunca mais
é um tempo avaro
brinca de eternidade
com sua máscara
em sentir-se impossível
na saudade que lavra
dói nas horas
na concreta forma
em que navega o sonho
de refazer a história
nunca mais é um rio largo
de todas as demoras
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.