Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
virtual
o poema enquadra
o poeta e as palavras
nas telas da alma
metaverso
de humana lavra
o verbo dá-se a tanto
por quase nada
enfeitar a vida parece
sinapse desgarrada
solilóquio do homem
embrulhado na palavra
campo de batalha
a razão avança
trincheira humana
da matéria em dança
projétil da vontade
chama dos braços
na fala dos atos
sonho transposto
humano alvoroço dos fatos
a vida vaga inteira
aos pedaços
o poema
alvoroçado
deixa o poeta
nos seus rastros
fisga o pensamento
anzol imaginário
nas letras do tempo
com seus laços
o poeta
vítima do verbo
nada os mares
do seu cérebro
sin embargo
hay que tener el alma
como arma
y jugarla golondrina
en las palabras
el poema es solo un vuelo
suelto de los sentidos
en busca de sus aires
pela rua
a fome gravita
e vige crua
no que consome
tripas e sonhos
vias do homem
ainda vida encena
em falso ato
a cena capital
do que lhe causa
o teatro do tempo
navega a matéria
como arma
quando fosse riso
a vida bastaria
nos metros do tempo
em que se media
quando fosse triste
a vida restasse
nos risos arquivados
nas rugas que montasse
nessa romaria
de neurônios abraçados
a vida permaneça humana
enquanto coletiva baste
o grito do mundo
à espreita do tempo
dá-se à construção
como lúdico invento
razão dos braços
teia da vida
aranha pública
ainda não tecida
a oralidade onírica
vaza no discurso
vontade composta
das teias do mundo
o tempo
cavalgando a madrugada
jogava restos da noite
pelas calçadas
Recife
ainda adormecida
ouvia já a manhã
nas avenidas
o jovem militante
tarefa cumprida
tangia os passos
pelas certezas da vida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.