Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a vida
não se basta
é preciso vive-la
em passeatas
os andares pensantes
os pensares da prática
nessa dialética urgente
que os contrários se abraçam
a vida é um grávido comício
da matéria e suas táticas
eu vim de mim
como invento
que todos criaram
pelo tempo
átomo militante
matéria em pensamento
eu vim de mim
assim urgente
com o povo no peito
e a vida nos dentes
Maya Plisetskaia
discursa sem verbo
sua avulsa verve
são apenas gestos
e uma mania imensa
de inventar universos
os que despeja no palco
os que vigem em manifesto
nas eternidades repentinas
das coxias do cérebro
forme-se o rito
exato distrato
entrega do mundo
às vias de fato
vigência humana
messe avulsa
das braçadas trançadas
nas vagas da luta
grávido ritmo
da gestão de tudo
construção do tempo
escoicear do futuro
escravo de mim
dou-me à liberdade
inventando um tempo
que me caiba
horas de sonho
gestos que ajo
escravo de todos
dou-me ao plano
de construir um tempo
sempre humano
inventar-se
é só trejeito
da vontade
coisa de matéria
dada à liberdade
na fluência exata
em que se cabe
consumir a vida
nesses saltos
é dar-se à rebelião
em pacífico ato
o poema
talvez não caiba
nas brechas doídas
no colo da alma
como discurso
planta a palavra
no invólucro humano
em que se larga
o poema é placebo
o poeta seu escravo
por trás da manhã
a noite armava
na síncope de si
a madrugada
a escuridão
em franca distopia
tentava negar as luzes
que o mundo urdia
as rimas do verso
nem pressentiam
que o sonho brilhava
mais do que dizia
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.