Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
da África dançando
de-se o indício
de que Madiba é vivo
em cada comício
da África dançando
entenda-se o ofício
que o povo tem de lutar
pelo seu riso
da África dançando
decrete-se um infinito
das léguas todas do povo
que Mandela traz consigo
Yemojá
que entornas o mar
sobre meu tempo
e que te prestas
a sonhar
o que não devo
Yemojá
que lavras a manhã
de todos os teus peixes
e te consolas nas ondas
do exato oceano
como uma nave desgarrada
dos enganos
e que palmilhas os ventos
com a intimidade
dos amantes
e que individuas
em mim
o coletivo mar
de tuas tranças.
aos 62
tanjo a vida
na mesma direção
das desmedidas
tudo é tanto
e tão restrito
que me resto na contradição
do que morro e vivo
aos 62
meço-me menino
nas léguas de mim
que adivinho
e o riso
é uma bandeira escancarada
nas portas do que digo
aos 62
rio pela tarde
o que da manhã
me invade
e nunca que me faço triste
com a certeza
de todas as saudades.
Eis a sinergia:
a alegria é sempre maior
que a tristeza presumida
o tempo e o riso cabem mais
nas entrelinhas da vida
É que sua lavratura,
demandada pelos anos,
abrange todas as medidas
do invólucro humano
eis que consumir o tempo
é uma alegria orquestrada
ao homem cabe compô-la
das notas em que não se cala.
o desejo
não é um jeito
de querer
o que não devo
o desejo
é apenas caminho
de espantar o medo
o desejo
é a encruzilhada
de todas as veias
de todas as falas
o desejo
é transeunte
de ruas escondidas
tudo que lhe tanje
é a vida
odesejo
não transige
com a parcimônia
do que se vive
o desejo
é quase um salto
na escuridão
dos seus enredos
o poema em si
é quase nada
é um pretenso fato
montado nas palavras
e no entanto
o poema fala
na vastidão do homem
a todos os cordões da alma
é que a matéria,
quando está em si, desanda
e chega a sentir no verbo
tudo que se ama
que aquilo que alinhavo pela vida
na extensão inteira do seu curso
possa dizer exatamente tanto
quanto de verbo tenha o discurso
pois por te-la assim sob medida
em todos os seus vãos desenfreada
admita a hipótese de morrê-la
com a certeza de todas as estradas
é que o vão de te-la assim disposta
é um terçar de armas diuturno
em que o braço quase sempre tenta
atravessar o vão do seu discurso
e a meta de vivê-la fartamente
nos contornos mais simples da vontade
é quase um exercício dos abraços
nas avenidas do país que se abrace
e assim caminhem verbo e vida
pelas estradas grávidas do povo
construindo o futuro que vigia
a plenitude de tudo que é novo.
mães
adredemente
Inventam a vida
ao redor da gente
seus ilimites
não desandam
tudo que a razão
apenas tanja
é que suas horas
vigem tão alheias
que nem se registram
em suas veias
antes povoam um tempo
de amores irrestritos
em que declara seus
todos os infinitos.
A Onaldo Queiroga
o sanfoneiro
nem pressente
que quando puxa o fole
estica a alma da gente
ela sobe no juízo
como um sopro diferente
e se desmancha nos passos
dos vôos todos da gente
é como se fora um recado
de todos os ancestrais
escrevendo nesses passos
as palavras de quem jaz
é como um grito escondido
nos verbos todos do tudo
construindo os infinitos
que a vida joga no mundo.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.