AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

630

da África dançando



da África dançando

de-se o indício

de que Madiba é vivo

em cada comício

 

da África dançando

entenda-se o ofício

que o povo tem de lutar

pelo seu riso

 

da África dançando

decrete-se um infinito

das léguas todas do povo

que Mandela traz consigo

9

Yemojá



Yemojá

que entornas o mar

sobre meu tempo

e que te prestas

a sonhar

o que não devo

 

Yemojá

que lavras a manhã

de todos os teus peixes

e te consolas nas ondas

do exato oceano

como uma nave desgarrada

dos enganos

e que palmilhas os ventos

com a intimidade

dos amantes

e que individuas

em mim

o coletivo mar

de tuas tranças.

8

Ode aos 62



aos 62

tanjo a vida

na mesma direção

das desmedidas

tudo é tanto

e tão restrito

que me resto na contradição

do que morro e vivo

 

aos 62

meço-me menino

nas léguas de mim

que adivinho

e o riso

é uma bandeira escancarada

nas portas do que digo

 

aos 62

rio pela tarde

o que da manhã

me invade

e nunca que me faço triste

com a certeza

de todas as saudades.

9

Dos discursos temporais da velhice

 

Eis a sinergia:

a alegria é sempre maior

que a tristeza presumida

o tempo e o riso cabem mais

nas entrelinhas da vida

 

É que sua lavratura,

demandada pelos anos,

abrange todas as medidas

do invólucro humano

 

eis que consumir o tempo

é uma alegria orquestrada

ao homem cabe compô-la

das notas em que não se cala.

21

Desejo em franca estadia



o desejo

não é um jeito

de querer

o que não devo

 

o desejo

é apenas caminho

de espantar o medo

 

o desejo

é a encruzilhada

de todas as veias

de todas as falas

 

o desejo

é transeunte

de ruas escondidas

tudo que lhe tanje

é a vida

 

odesejo

não transige

com a parcimônia

do que se vive

 

o desejo

é quase um salto

na escuridão

dos seus enredos

9

Do poema em contrição



o poema em si

é quase nada

é um pretenso fato

montado nas palavras

 

e no entanto

o poema fala

na vastidão do homem

a todos os cordões da alma

 

é que a matéria,

quando está em si, desanda

e chega a sentir no verbo

tudo que se ama

17

Dos alinhavos da vida

 

que aquilo que alinhavo pela vida

na extensão inteira do seu curso

possa dizer exatamente tanto

quanto de verbo tenha o discurso

 

pois por te-la assim sob medida

em todos os seus vãos desenfreada

admita a hipótese de morrê-la

com a certeza de todas as estradas

 

é que o vão de te-la assim disposta

é um terçar de armas diuturno

em que o braço quase sempre tenta

atravessar o vão do seu discurso

 

e a meta de vivê-la fartamente

nos contornos mais simples da vontade

é quase um exercício dos abraços

nas avenidas do país que se abrace

 

e assim caminhem verbo e vida

pelas estradas grávidas do povo

construindo o futuro que vigia

a plenitude de tudo que é novo.

9

Mães



mães

adredemente

Inventam a vida

ao redor da gente

seus ilimites

não desandam

tudo que a razão

apenas  tanja

 

é que suas horas

vigem tão alheias

que nem se registram

em suas veias

antes povoam um tempo

de amores irrestritos

em que declara seus

todos os infinitos.

8

O sanfoneiro

 

      A Onaldo Queiroga

 

o sanfoneiro

nem pressente

que quando puxa o fole

estica a alma da gente

 

ela sobe no juízo

como um sopro diferente

e se desmancha nos passos

dos vôos todos da gente

 

é como se fora um recado

de todos os ancestrais

escrevendo nesses passos

as palavras de quem jaz

 

é como um grito escondido

nos verbos todos do tudo

construindo os infinitos

que a vida joga no mundo.

10

Tudo de mim



único

tudo me define

outro

 

sou,

assim alheio,

tudo

de mim mesmo

e pouco

 

é que me sobra

a ilusão

de parecer-me

em vão

quando não pulsa

na luta

o coração.

10

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado