Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
empírico
nada é tão lúdico
que me faça viver
aqualquer custo
é que viver
menos que um susto
é a travessia de um tempo
a longo curso
é construção
de uma praça coletiva
guardada a proporção
dos singulares que se viva
empírico
nada é tão lógico
que me faça viver
fora dos ossos
viver é apenas a função
dos verbos que eu possa
futuros
engavetados na memória
sonhos dizem apenas
o óbvio:
sonhos são apenas
os tempos que eu posso.
sósia de mim
me desconheço
nos outros tantos eus
em que apareço
é que viver
é quase um jeito
de trazer multidões
dentro do peito
meu verso
apenas tenta
derramar nas palavras
minha crença
não que o verbo
nas trincheiras da vida
tenha os mesmos metros
do que se acredita
antes delibera
nas esquinas do novo
aquilo que a palavra
mede em todos
meu poema
apenas convoca
todos os meus afetos
todas as minhas portas
e se o prolato
e se as invoco
é por ser o futuro
aquilo que eu posso.
A Lane Pordeus
Só ao amor
cabe o absoluto
guardadas as proporções
e as léguas do seu curso
é que não lhe trai
o uso moderado
de tudo que a razão
Interdita aos incautos
só ao amor
cabe o infinito
e a capacidade lúdica
de nunca medi-lo
o amor é só medida
de quem possa senti-lo.
o peneirado da negra
tinha um quê de ilusão
ela dançava sim
a gente pensava não
era como se a vida
não fosse a contradição
que leva a gente pro norte
com o sul no coração.
Na morte
me definitivo
tudo que resta
é coletivo
meu singular
é apenas o que vivo.
Eis o artifício da vida
o geral é tão vário
que me infinita.
dobro
a manhã
e tardo
é que anoiteço
num tempo
único e tão vário
que todos eus sem mim
dão-me ao espaço
em que adormeço unânime
em meus braços.
de modo algum
é muito sempre
pra medir os modos
das incertezas do tempo
de modo algum
é quase sempre
um jeito comum
de desalento
é que a matéria
tem modos e momentos
de sempre escrever a história
no avesso dos tempos.
Os horizontes
nunca terminam
a gente é que esquece a régua
e as medidas
de trazê-los sempre ao passo
da vida.
Na verdade
contra os destinos
o horizonte é só mais um passo
a que nos consentimos
medir os horizontes é só tarefa
de réguas comprometidas
com os freios que se criam
nas andaduras da vida
só ao povo
cabem os horizontes medidos
pela certeza de que todos
cabem nos seus sentidos.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.