Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Meu olho gruda no céu
com a mesma desenvoltura
com que, escafandro de mim,
revolvo minhas culpas
tudo é só a constância
de vislumbrar amplitudes
sempre nasço de mim
mesmo quando não pude
é que o outro é o espelho
de nos inventar amiúde.
meu voo
é só licença
a que me dou
na consciência
no mais das vezes
sempre aterrizo
na pista fictícia
dos sentidos
astronauta de mim
nesse exercício
construo o cosmos
que habito
até que
percebas
que a vida
está em cena
na exata proporção
do teu problema
a verdade é apenas
um jeito presumido
do que se apresenta
viver é quase tanto
quanto inventar a cena
Sempre haverá um povo
nos arredores do futuro
mesmo que não haja tempo
para dizê-lo em tudo
sempre haverá um tempo
nos arredores do povo
mesmo que não haja um futuro
guardado em cada bolso
tempos são
apenas arquiteturas
de quem constrói as manhãs
nos descaminhos da luta.
Divirjo de mim mesmo
tudo que não posso
é meu mêdo.
O impossível
é só um gesto
de tudo a que me presto.
viver é inventar impossíveis
nos desvãos do universo.
Dos mares que velejo
perdido assim em teu abraço
tolerarei as ondas que não meça
dividirei os tempos que não possa
porque de nada-los a cada passo
deixe-me restar infinito em tua graça
profundamente livre de mim mesmo
do que eu consiga em teu encalço
A Nana Vasconcelos
O tambor
talvez não diga
tudo que inventou
nos desvãos da vida
mas na sua sina
de tocar o mundo
resta-lhe a certeza
de se ter em tudo
o tambor
impunemente
é um coração itinerante
nos passos da gente
Meu vínculo
é o que sinto
pensar é só preciso
naquilo que o coração
é meu indício
A razão é quase gesto
de que prescindo
quando o coração aponta
os verbos do que digo.
Meu vínculo
é o que grito
na rua geral da vida
em que me infinito.
a procissão
convoca
todos os passos
e todas as portas
como um roldão exato
de respostas
à frente
deus informa
todas as direções
e todas as lógicas
e, satélite de si,
nem se importa
com os metros de vida
que entorna
a procissão
é matemática
tudo que lhe marca
é o gesto intenso
de quem se gasta
nos trejeitos solenes
da passeata .
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.