Marítima alusão da vida
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
ao amor
dê-se a vazão
das cachoeiras que inventam
o coração
e dê-se como mar
nas ondas em que se cometa
como se fora um barco
navegando impune sua gesta.
o amor é sempre ávido
em tudo a que se presta.
a história
caminhando pelas praças
constrói os tempos das árvores
e o destino das massas
todas as dores do povo
embrulhadas em sua face
no alvoroço da luta
inventam a liberdade
é que o futuro é ofício
de quem cedo já tarda.
o futuro,
constantemente,
inventa minha saudade,
de repente
é como assim um desembrulhar
do sonho que se sente.
Nos ombros do tempo
navego horas e envelheço
até nas mocidades
em que me esqueço
vivente dos meus egos
nas vezes que nem me perco
o meu fim, adredemente,
é só um disfarce do começo
a velhice é só um jeito
de me inventar pelo avesso.
Na pandemia
viajo em mim impunemente
como um trem carregado
de passados e presentes
cada estação
é um grito absurdo
dos passados e presentes
que alinhavam o futuro
ao tempo resta a razão
de inventar seu discurso
É que o bordado da noite
quando inventa nosso riso
cria luas no infinito
nesse claro exercício
de criar com nossos olhos
a aventura de ter vivido.
Aos Camaradas Manoel Lisboa de Moura e Selma Bandeira
o partido inventa o tempo
como uma usina de luta
e camaradas serão todos
no futuro exato dessas ruas
o partido ecoa nos muros
como uma frase explosiva
e tange o coração do povo
nos ombros largos da avenida
o grito urgente do discurso,
no seu jeito singular diz-se tão vário
que ressoa no peito como certeza
um Partido Comunista Revolucionário
enfim, dê-se-lhe a vazão
de parecer-se na luta
uma fornalha grávida da revolução.
O sonho
é só o unguento
com que trato as viagens
do pensamento
é que por tê-las
alinhavadas no juízo
deixo-me sonhar atento
às distâncias do infinito
ao fim, caibo em mim,
viajante e quase contrito,
nas lonjuras do que, perto,
tange os metros do meu riso.
A esperança
é só uma dança
que o futuro inventa
pela lembrança
é como se fora um panfleto
redigido no peito de quem avança
sua imanência
é só aviso
de quem sabe montar
seu infinito.
A alma é só invólucro
daquilo em que se cabe
guardada a proporção
das pretensas liberdades
que a gente traz pelo peito
e às vezes nem sabe
e vige enquanto perdura
o gosto infante da alegria
no riso que a gente tange
pelos ombros da avenida
construindo com irmãos
as lutas todas da vida
a alma é só um detalhe
da singularidade coletiva.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.