Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
É como bordar o amor
com as agulhas da calma
com a linha do coração
e os bastidores da alma
na solidão saio de mim
como transeunte
de todas as estradas
que não pude
e deixo-me a sós
em incautos coletivos
como bólide da vontade
de estar comigo
eis a contradição:
a pandemia é coletiva
nem deixa a solidão
ser mais restrita.
a passeata navega as ruas
com a exata compostura
de uma nau que singra as praças
dos combates, dos verbos e da luta
cada transeunte em passo
é um descompasso consentido
das dores todas que atiça o povo
e joga os homens na avenida.
a passeata navega também as luas
que o futuro dos passos realiza.
é que quando o tempo avança
o passado só encurta
e parece que foi ontem
o que o futuro custa
é que o tempo só se gasta
na lembrança de quem o usa.
viver é guardar o tempo
na exata proporção da luta.
Quanto mais se monta o tempo
mais jovem o futuro fica
é que a vida não se conforma
em ser apenas notícia
nos ombros de sua fala
a palavra se afirma
é nas ruas de sua luta
que o futuro está em riste
mostrando a largura do povo
que se constrói e se acredita.
E quando o pião rodava
no ombro largo do chão
a alma da gente sorria
com a ponteira na mão
como se fosse a bandeira
da nossa rebelião
é que assim consentida
a disputa é quase um enredo
de inventar concorrência
como se fosse brinquedo
é que criança guerreia
com a paz dentro do peito.
a utopia
mais dias, menos dias,
é só o bordado da história
que o povo construia
é que a luta, por complexa,
dá-se por estranha,
às vezes incompleta
quando o destino dos homens
larga-se numa paz grávida da guerra
a ânsia do futuro
sempre se apresta
a bordar pelo mundo
muitos et ceteras.
A luta bruta sua a praça
com suores e verbos,
andarilhos e astronautas
montados no sonho urgente
de abraçar a pátria
a luta consome
as léguas de povo
que adredemente prolata
costurando os verbos da vida
no peito infante da massa
e o grito da multidão
ecoando pelas marquises
é a construção escalonada
das arquiteturas da crise.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.