Marítima alusão da vida
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
É como bordar o amor
com as agulhas da calma
com a linha do coração
e os bastidores da alma
na solidão saio de mim
como transeunte
de todas as estradas
que não pude
e deixo-me a sós
em incautos coletivos
como bólide da vontade
de estar comigo
eis a contradição:
a pandemia é coletiva
nem deixa a solidão
ser mais restrita.
a passeata navega as ruas
com a exata compostura
de uma nau que singra as praças
dos combates, dos verbos e da luta
cada transeunte em passo
é um descompasso consentido
das dores todas que atiça o povo
e joga os homens na avenida.
a passeata navega também as luas
que o futuro dos passos realiza.
é que quando o tempo avança
o passado só encurta
e parece que foi ontem
o que o futuro custa
é que o tempo só se gasta
na lembrança de quem o usa.
viver é guardar o tempo
na exata proporção da luta.
Quanto mais se monta o tempo
mais jovem o futuro fica
é que a vida não se conforma
em ser apenas notícia
nos ombros de sua fala
a palavra se afirma
é nas ruas de sua luta
que o futuro está em riste
mostrando a largura do povo
que se constrói e se acredita.
E quando o pião rodava
no ombro largo do chão
a alma da gente sorria
com a ponteira na mão
como se fosse a bandeira
da nossa rebelião
é que assim consentida
a disputa é quase um enredo
de inventar concorrência
como se fosse brinquedo
é que criança guerreia
com a paz dentro do peito.
a utopia
mais dias, menos dias,
é só o bordado da história
que o povo construia
é que a luta, por complexa,
dá-se por estranha,
às vezes incompleta
quando o destino dos homens
larga-se numa paz grávida da guerra
a ânsia do futuro
sempre se apresta
a bordar pelo mundo
muitos et ceteras.
A luta bruta sua a praça
com suores e verbos,
andarilhos e astronautas
montados no sonho urgente
de abraçar a pátria
a luta consome
as léguas de povo
que adredemente prolata
costurando os verbos da vida
no peito infante da massa
e o grito da multidão
ecoando pelas marquises
é a construção escalonada
das arquiteturas da crise.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.