Marítima alusão da vida
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
régua do tempo
o compasso
mede a circunferência
do abraço
humana gestão
em que se gasta
dá-la a metros
como só medidos
transgridem a lógica
das réguas do infinito
o tempo é controverso
nas rugas de seu grito
minha herança
sem propriedade
é a dança humana
que me caiba
rodeio do mundo
de todos camaradas
o valor
dos usos em que há de
é a construção de todos
mais valia da verdade
o mundo caminha
mesmo aos trancos
no rumo da liberdade
na mira do poema
o poeta tange o verso
martelada semântica
no vão do cérebro
as palavras
substantiva argamassa
adjetivam o tempo
em sua plástica
o poema ergue o verbo
em prumos disfarçados
à sombra do poeta
e todos seus enfados
a história
é um intenso curso
onde haverá manhãs do povo
no barco do futuro
a tecitura
desse largo tempo
são as ruas bordadas
no pensamento
traçar o mundo
na costura dos braços
é um fazer humano
alinhavando os fatos
a história é a matéria humana
costurada aos pedaços
o tempo, nestas horas,
nas pedras em que se guarda
dá-se assim aos caminhos
mais como arma
esse jogar-se das mãos
em conforto da alma
na verdade
a pedra é um arquivo
em que o tempo guardado em si
é só um disfarce
em que testemunha
as léguas humanas da razão,
as larguras do espaço,
como fosse compleição
dos infinitos em que se sabe
morrer
é nascer genérico,
abraçado ao tempo,
infinito no universo
morrer
é viver o nexo
arte extrema da matéria
construtora de começos
morrer
nunca é o fim
é só um trajeto
em que me esqueço
a vida
não é do palco
a coxia do mundo
é o passo
cada um
tramite o tempo
de compor os atos
no pensamento
o palco será o curso
grande alvoroço
cena do futuro
quando for de todos
o poema
é lúdica faca
corta o verso
finge a palavra
engana o poeta
retalha a alma
nos pedaços de si
em que se cala
publicado na carne
pulsar de sua lavra
o poema é só editor
dos comícios da alma
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.