Marítima alusão da vida
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
o baobá
assume a tática
de postar-se bastão
de todas as áfricas
ao dar-se ao tempo
como espada
carrega no gume
suas empreitadas
as nuances de seu povo
as energias inatas
as que afagam a consciência
as que desenham a alma
o baobá discursa
sem nenhuma palavra
o braço da mãe
era um imenso porto
cais humano de tanto
das barcas do sonho
o menino
caçando o sono
abraçava o cais
como encontro
os mares da vida
vigiavam o sonho
o atabaque
coração coletivo
pulsa o tempo
como registro
essa brincadeira
fugaz e recorrente
de jogar fora do homem
o poder do que se sente
é assim como um rio
traindo sua corrente
o sonho
mentira lúdica
esquece no tempo
sua sanha pública
esse habitar humanos
em sua luta
conflagração de todos
curso da matéria
o sonho é só alvoroço
daquilo que intenta:
deixar-se nos braços
dos fatos que tenta
os alvoroços da matéria
doem na vida
até nos voos imaginários
dos pássaros que consiga
é que a saudade borda os ares
nos ilimites em que viva
bandeira escancarada no tempo
tremulando todas suas vias
nosso limite é a vida
e todas as léguas
que decida
a vontade é o leme
o peito escudo
defesa militante
às ondas de tudo
fazê-la combatente
é passo da dança
dos bailes do mundo
o museu
nos olhos passeava
como uma lenda
em sua lavra
a história
em disparada
enchia os ouvidos
dos camaradas
o Hermitage
grávido do passado
era um quadro do futuro
nos olhos ancorado
o raso dos olhos
quando a saudade
deixa suas lonjuras
nos olhares
pinta o colo do tempo
no espaço da lágrima
a liquidez humana
nos saldos da vida
abre um crédito nos olhos
um riso suicida
molhado do passado
no futuro que lida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.