Marítima alusão da vida
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
de tanto estar no tempo
agora dou-me ao espaço
de tramitar pelas horas
os infinitos que guardo
os ávidos da lembrança
aqueles em que ainda caibo
o viver dessas distâncias
nos palmos dos sentidos
soletram as léguas do mundo
nos alfabetos da vida
dê-se em mim como privada
a alheia senda do outro
essa necessidade proprietária
da matéria em alvoroço
construção libertária
de quem navega seu esforço
como um barco desses mares
em que a vida dá-se aos poucos
e por tanta resumida
nas infinitas demarches
de-se à dialética
de todos seus olhares
como a vida a transitar
como coletiva face
de todos que a integram
na material paisagem
esse pertencer perdulário
de quem se dá à verdade
de que todos sou eu
diagramado na tarde
em que a estrada da vida
percorre a liberdade
e assim dado à multitude
como grão coletivo
escreva nas atitudes
a cerimônia do rito
de quem escreve em si
a rubrica do infinito
na Estação Aeroport
Moscou pulsava
todos os metrôs
das ferrovias da alma
a face do futuro
era estrada tanta
que o jovem o caminhava
como lembrança
a neve gelando o tempo
no colo manso da tarde
era só um abraço
da soviética saudade
a Ladeira do Maribondo
era um Everest íntimo
jogado no nordeste
e nos olhos do menino
subi-la era exercício
de dize-la incauta
em duvidar da sanha
do sonho astronauta
a ladeira, reticente,
na lama que guardava
deixava-se barreira
dos esportes da alma
resumo militante
das Áfricas vividas
o mundo escreve a matéria
na humana lida
assim derramada
nas cenas do tempo
inventa razões
pelo pensamento
contê-la abraçada
nos vincos da vida
é respira-la invenção
das almas que consiga
o porvir
há de pôr-se atento
em deixar construir-se
como oficina do tempo
ferramenta humana
dê-se a matéria ao rito
de consumir na luta
os gestos do infinito
a construção do futuro
deixa rastros em tudo
o sol tangia luz
pela paisagem
como um grande pincel
avivando a madrugada
o menino
apressando as horas
espantava o sono
da memória
o mundo e o tempo
eram os sítios
onde vivia infante
seus infinitos
nos olhos
como corrente
a vida puxava
o horizonte
o menino
assuntando o mar
media o açude
em que mergulhava
as léguas marinhas
nas ondas derramadas
afogavam os açudes
que trazia na alma
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.