Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a bailarina
soletra no palco
todos os infinitos
que traz nos braços
dizer a vida
no meio dos passos
acorda suas manhãs
no vão das tardes
o tempo da bailarina
é uma intensa eternidade
minhas paralelas
de tão tangentes
misturam no peito
tudo que sentem:
a dor do mundo,
suas ausências.
a condição militante
flagrante sentimento
constrói as geometrias
das fronteiras do tempo
todo espaço da alma
é um grito recorrente
rasuras da vida
postas no tempo
são apenas espaços
do sentimento
leva-las à vontade
em quanta crítica
é arquivar descompassos
nos armários da vida
construir-se em atos
nos alinhavos de tudo
encomenda o compasso
que engravida o futuro
o quanto da mulher
era tão infinito
que jogava eternidades
nos segundos do riso
prorrogava as manhãs
como eterna liberdade
de quem manuseia o tempo
como dona das tardes
hoje inadimplente
dos infinitos que pude
dou-me escravo das horas
que a saudade me pune
José Avelino
sobre o cavalo
tinha a impressão
de ser compasso
instrumento das curvas
em busca do gado
vaqueiro
dava-se à caatinga
como avenida larga
de tramitar a vida
seu desejo onírico
era um rebanho farto
tangido em passeata
nos currais da alma
o tempo
nunca é tarde
se a vida é grávida
do que cabe
o espaço
de dizê-la tanta
é construção das horas
em que se planta
como garra do amor
como coletiva dança
quando multidão
dê-se a tanto
construindo o rito
do viver humano
a matéria
dá-se a quanto
por saber-se grávida
em cada canto
cada um, em tudo
é a possibilidade coletiva
do futuro
coletivo
dou-me às tribos
como indígena militante
do infinito
a razão de sê-lo
entorna a liberdade
como fração dos atos
da humana vontade
a condição inata
discurso da história
dá-me como matéria
nos ombros da memória
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.