Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
na pressa dos pés
em tarefa posta
o jovem caminhava
com o país nas costas
o peso do orgulho
era tanto
que a vida voava
como pássaro em dança
na volta
flutuava o mundo
e um riso camarada
bordava o futuro
a enxada
lambe a terra
camponesa saga
em que se enreda
nada lhe dói
rasgar o mundo
abrindo feridas
do futuro
a enxada tem a certeza
na agrária vertente
que apenas borda a natureza
naquilo que intente
o poema
é terapia e tratativa
no triste do tempo
no riso da vida
tem a postura
a consistência
de quem soletra
a consciência
o poema é só corrimão
das escadas que consente
a dança
dispensa o salão
nas ruas dos passos
dos pés no chão
a história
já valsa a vida
como dança humana
recorrente e infinita
o homem
no frevo do mundo
já dança o tempo
abraçado em seus pulos
a lágrima do povo
molha a história
como rio do mundo
mar da memória
inunda o tempo
como lavratura
das certidões da vida
nos traços da luta
o riso do povo
é a contradição
das antíteses humanas
da revolução
em cada verso
haverá, por certo,
nesgas do tempo
em manifesto
e a vontade intensa
de dar-me ao nexo
de doar às palavras
todos os sonhos
a que me empresto
os que decorram da vida
os que boiem no universo
até que essa saga onírica
diga-me matéria genérica
guerrilheiro de si
dê-se à oitiva
de todos os sentidos
postos na vida
cometa o tempo
como íntima arma
de arquivar o povo
no vão da alma
invente a manhã
quando tarde
madrugue as razões
da liberdade
o desejo
veio urgente
posta a emoção
nas minas do que sente
trava a demora
na humana senda
esculpindo a vontade
em sua agenda
o desejo é corcel
desabalado
galopando a memória
das raias do passado
meus olhos
sobram na noite
como naves urgentes
em busca do sonho
como um archote
no vão do sono
lampeja a vontade
na onírica fonte
abraçado à manhã
o sonho ainda vaga
como fora horizonte
dos mares da alma
do outro ter-se-á a lógica
de inventar-se em mim
como se fosse própria
toda a ilação humana
de quem se constrói
por dentro da história
e há de ter-se assim
humanamente conjugado
como se gente fosse então
uma espécie de gado
que rumina verbos e futuros
em todos os cercados
e fosse a própria identidade
do que lhe era o todo
por ser só de si o contrassenso
de parecer tão pouco
quando não existe o espelho
para refletir o outro
é que a vida se constrói
quase sempre aos poucos
e há um futuro reservado
nos desvãos dos outros
que teimam em ser passado
do que em nós é futuro e porto
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.