Marítima alusão da vida
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
na pressa dos pés
em tarefa posta
o jovem caminhava
com o país nas costas
o peso do orgulho
era tanto
que a vida voava
como pássaro em dança
na volta
flutuava o mundo
e um riso camarada
bordava o futuro
a enxada
lambe a terra
camponesa saga
em que se enreda
nada lhe dói
rasgar o mundo
abrindo feridas
do futuro
a enxada tem a certeza
na agrária vertente
que apenas borda a natureza
naquilo que intente
o poema
é terapia e tratativa
no triste do tempo
no riso da vida
tem a postura
a consistência
de quem soletra
a consciência
o poema é só corrimão
das escadas que consente
a dança
dispensa o salão
nas ruas dos passos
dos pés no chão
a história
já valsa a vida
como dança humana
recorrente e infinita
o homem
no frevo do mundo
já dança o tempo
abraçado em seus pulos
a lágrima do povo
molha a história
como rio do mundo
mar da memória
inunda o tempo
como lavratura
das certidões da vida
nos traços da luta
o riso do povo
é a contradição
das antíteses humanas
da revolução
em cada verso
haverá, por certo,
nesgas do tempo
em manifesto
e a vontade intensa
de dar-me ao nexo
de doar às palavras
todos os sonhos
a que me empresto
os que decorram da vida
os que boiem no universo
até que essa saga onírica
diga-me matéria genérica
guerrilheiro de si
dê-se à oitiva
de todos os sentidos
postos na vida
cometa o tempo
como íntima arma
de arquivar o povo
no vão da alma
invente a manhã
quando tarde
madrugue as razões
da liberdade
o desejo
veio urgente
posta a emoção
nas minas do que sente
trava a demora
na humana senda
esculpindo a vontade
em sua agenda
o desejo é corcel
desabalado
galopando a memória
das raias do passado
meus olhos
sobram na noite
como naves urgentes
em busca do sonho
como um archote
no vão do sono
lampeja a vontade
na onírica fonte
abraçado à manhã
o sonho ainda vaga
como fora horizonte
dos mares da alma
do outro ter-se-á a lógica
de inventar-se em mim
como se fosse própria
toda a ilação humana
de quem se constrói
por dentro da história
e há de ter-se assim
humanamente conjugado
como se gente fosse então
uma espécie de gado
que rumina verbos e futuros
em todos os cercados
e fosse a própria identidade
do que lhe era o todo
por ser só de si o contrassenso
de parecer tão pouco
quando não existe o espelho
para refletir o outro
é que a vida se constrói
quase sempre aos poucos
e há um futuro reservado
nos desvãos dos outros
que teimam em ser passado
do que em nós é futuro e porto
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.