Marítima alusão da vida
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
as tramas que tenho
nas vielas em que ando
sejam apenas passos
militantes ou vagabundos
caminhando a matéria
em todos os seus rumos
aqueles que digam de mim
aqueles que lutem o mundo
do sol militante
a manhã deu-se ao tempo
chorando as nuvens que tinha
no colo de seus ventos
como fosse uma tristeza
construída de repente
o menino olhando a chuva
deu-se a molhar os sentidos
namorando a paisagem
abraçado ao infinito
no engenho moendo
amoitado na alegria
o menino sonhava
nos ombros do dia
o mel boiando
no tacho escuro
era um decreto doce
nas mágoas do mundo
a vida era tão exata
que o menino esquecia
das humanas faltas
a fome da vida
era só uma estrada
dos solfejos da sanfona
pelo vento espalhados
os passos brotam no chāo
no baiāo alinhavados
é assim como um levante
do povo desembestado
riscando a terra em bemóis
jogando a vida nos passos
o nordeste pulsa tanto
nesse dançar coletivo
parece um vendaval
no pescoço do infinito
a praça
é só uma dança
onde o povo espalha
a esperança
a palavra
é o indício
onde a paz guerreia
seu comício
a matéria
apenas instaura
os futuros que pode
em sua saga
a pedra
como um arquivo
guarda o panfleto
do humano grito
a pedra
atiça a memória
discursando a vida
nos leirões da história
a pedra
sabe a relógio
nessa mania intensa
de guardar as horas
dou-me ao infinito
como perdulário
tudo que de tanto
permitam-me os espaços
os que o tempo construa
os que digam as sinapses
o infinito é só o lavradio
da matéria em seus compassos
as claves do tempo
emparelham as notas
que a vida soletra
no vão da história
o solo dos desejos
entoando semifusas
acorda os surdos
nos desvãos da luta
a sinfonia permanece
entre os movimentos da vida
o pensamento como luthier
o corpo como oficina
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.