AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
314 593 Visualizações

Marítima alusão da vida

no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro

atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho

Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

630

Íntimas estradas

 

as tramas que tenho

nas vielas em que ando

sejam apenas passos

militantes ou vagabundos

caminhando a matéria

em todos os seus rumos

aqueles que digam de mim

aqueles que lutem o mundo

13

Reminiscência XXII

 

do sol militante

a manhã deu-se ao tempo

chorando as nuvens que tinha

no colo de seus ventos

como fosse uma tristeza

construída de repente

o menino olhando a chuva

deu-se a molhar os sentidos

namorando a paisagem

abraçado ao infinito

17

Reminiscência XXI

 

no engenho moendo

amoitado na alegria

o menino sonhava

nos ombros do dia

o mel boiando

no tacho escuro

era um decreto doce

nas mágoas do mundo

a vida era tão exata

que o menino esquecia

das humanas faltas

a fome da vida

era só uma estrada

27

Do baião soletrado

 

dos solfejos da sanfona

pelo vento espalhados

os passos brotam no chāo

no baiāo alinhavados

é assim como um levante

do povo desembestado

riscando a terra em bemóis

jogando a vida nos passos

o nordeste pulsa tanto

nesse dançar coletivo

parece um vendaval

no pescoço do infinito

15

Da praça em atos

 

a praça

é só uma dança

onde o povo espalha

a esperança

a palavra

é o indício

onde a paz guerreia

seu comício

a matéria

apenas instaura

os futuros que pode

em sua saga

32

Ode à Pedra do Ingá

 

a pedra

como um arquivo

guarda o panfleto

do humano grito

a pedra

atiça a memória

discursando a vida

nos leirões da história

a pedra

sabe a relógio

nessa mania intensa

de guardar as horas

15

Metragens

 

dou-me ao infinito

como perdulário

tudo que de tanto

permitam-me os espaços

os que o tempo construa

os que digam as sinapses

o infinito é só o lavradio

da matéria em seus compassos

15

Sinfônica lida

 

as claves do tempo

emparelham as notas

que a vida soletra

no vão da história

o solo dos desejos

entoando semifusas

acorda os surdos

nos desvãos da luta

a sinfonia permanece

entre os movimentos da vida

o pensamento como luthier

o corpo como oficina

13

Das magnitudes do amor faltante

 

do quanto amor

talvez se saiba

os infinitos da saudade

postos na alma

a vida contrita

é só exercício

da metade de si

que ainda habita

da-la ao mundo

é só um rito

fazê-la transeunte

da luta coletiva

32

REMINISCÊNCIA XX

 

transeunte da vida

navegando a alma

o jovem varava o Recife

pisando a madrugada

o eco do partido

nos dias consumidos

jogava o futuro

pelos sentidos

a tempo

acordando a cidade

jogava a madrugada

numa certa liberdade

16

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado