Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
no pensamento
a infância deitava
todas as vias
no armário da alma
o poema decorado
dito mansamente
jogava o menino
em sua consciência
todas as letras pulsavam
a inocente alegria
de quem achava que recita-lo
era a velhice que podia
meus poemas
nem sabem
o quanto de mim
sempre lhes cabem
escrevê-los
é quase surto
dos alinhavos da vida
em que me fujo
e nas madrugadas
retórico subterfúgio
alinhamentos de sonhos
em valores de uso
salpicando de verbos
pedaços do futuro
o otimismo
é só um vício
de quem é íntimo
da saga do infinito
ciente da matéria
e de seu ofício
de bastar-se no tempo
como imenso grito
o otimismo, em tudo,
é de quem já soletra
o discurso do futuro
amor de poeta
nunca acaba
nos galopes da vida
escanchado na alma
corre os labirintos
que a saudade instala
como fora um rodeio
que o tempo não para
todas as raias da vida
dão-se às cavalgadas
as que o infinito guardou
as que a alma ainda lavra
a vida
mais que curso
é a matéria gestando
seu futuro
grávida de si
dá-se à pertinência
de ajustar o tempo
à consciência
os obstáculos
vistos pela estrada
são só condições
para nossas intifadas
as que vigem nos fatos
as que vivem na alma
a rua
veia urbana
tramita o povo
como instância
matéria itinerante
da vida humana
a praça
coração em disputa
é só o pulsar
do povo em luta
largo redemoinho
da busca do futuro
no trâmite da vida
dê-se a logística
de remoer os sonhos,
suas premissas
as que venham da vontade
as que já militam
doa o tempo da ânsia
no estar compreendido
entre a intimidade do fato
e as nuances do infinito
a madrugada
era um tempo avaro
roubava do menino
o sonho em que estava
a vida espreguiçava
o menino espalhando
uns pedaços de sonho
debaixo da cama
a madrugada
sorria um sol encabulado
o menino abraçava o dia
com o sonho estrangulado
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.