Marítima alusão da vida
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
no pensamento
a infância deitava
todas as vias
no armário da alma
o poema decorado
dito mansamente
jogava o menino
em sua consciência
todas as letras pulsavam
a inocente alegria
de quem achava que recita-lo
era a velhice que podia
meus poemas
nem sabem
o quanto de mim
sempre lhes cabem
escrevê-los
é quase surto
dos alinhavos da vida
em que me fujo
e nas madrugadas
retórico subterfúgio
alinhamentos de sonhos
em valores de uso
salpicando de verbos
pedaços do futuro
o otimismo
é só um vício
de quem é íntimo
da saga do infinito
ciente da matéria
e de seu ofício
de bastar-se no tempo
como imenso grito
o otimismo, em tudo,
é de quem já soletra
o discurso do futuro
amor de poeta
nunca acaba
nos galopes da vida
escanchado na alma
corre os labirintos
que a saudade instala
como fora um rodeio
que o tempo não para
todas as raias da vida
dão-se às cavalgadas
as que o infinito guardou
as que a alma ainda lavra
a vida
mais que curso
é a matéria gestando
seu futuro
grávida de si
dá-se à pertinência
de ajustar o tempo
à consciência
os obstáculos
vistos pela estrada
são só condições
para nossas intifadas
as que vigem nos fatos
as que vivem na alma
a rua
veia urbana
tramita o povo
como instância
matéria itinerante
da vida humana
a praça
coração em disputa
é só o pulsar
do povo em luta
largo redemoinho
da busca do futuro
no trâmite da vida
dê-se a logística
de remoer os sonhos,
suas premissas
as que venham da vontade
as que já militam
doa o tempo da ânsia
no estar compreendido
entre a intimidade do fato
e as nuances do infinito
a madrugada
era um tempo avaro
roubava do menino
o sonho em que estava
a vida espreguiçava
o menino espalhando
uns pedaços de sonho
debaixo da cama
a madrugada
sorria um sol encabulado
o menino abraçava o dia
com o sonho estrangulado
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.