Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
La Negra
tinha na garganta
todos os tons
da latina trança
laço da revolta
nos passos da dança
compassos do baile
do povo em sua andança
La Negra, navegante,
ainda pulsa,
no peito da América,
os acordes da luta
ao estar comigo
assim outro
me definitivo
abraço da matéria
na humana lida
do infinito
os limites do tempo
em que milito
são os pedaços da vida
que infinito
o tempo
consumo humano
diz da matéria
em seus planos
gastá-lo
em medidas
é não tê-lo largo
pela vida
o tempo
como etário rito
nas estradas do homem
é consolo do infinito
o cacto
furava o tempo
atiçando o sertão
no pensamento
o sol
cúmplice confesso
assava a manhã
como protesto
o homem
viajante dos sentidos
boiava no sertão
seus infinitos
os pedaços da matéria
que abraça consigo
a jangada
brincava de horizonte
penteando o mar
agarrada nas ondas
o sol
debruçado no tempo
desenhava a madrugada
tangida pelo vento
o poema
também insone
jogava no poeta
as velas de seu horizonte
a cachoeira
chorava a terra
desenhando lágrimas
pelas pedras
o menino
chorando o riso
debruçava em si
o infinito
o rio
em pura displicência
abraçava o menino
no colo da corrente
o poema é atalho
rastro do poeta
nas costas do mundo
mania de palavrear-se
nos verbos de tudo
assim como eco
dos solavancos da vida
o poema reza a matéria
como ciranda lírica
dançando o sentimento
das valsas que consiga
o tempo
posto na paisagem
dá-se à vida
como madrugada
o homem
posto humano
arquiva o tempo
no seu sono
a matéria e o homem
postos em cena
dão-se ao poeta
no vão do poema
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.