Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
na terra
minúscula nave
como divisar
os infinitos em que cabe?
na terra
transcurso da matéria
como não sentir
os futuros que encerra?
no universo
matéria em seu rito
como não vislumbrar
o destempo do infinito?
o rio
em sua andança
tangia a paisagem
e a infância
o menino
já dado à velhice
acorrentava o tempo
na correnteza
sonhando o futuro
envelhecendo as certezas
o rio, inocente,
molhava o sonho
como presente
a cada novo tanto
a qualidade tremula
a dialética vazão
da matéria em luta
a qualidade
em cada quanto
adentra a matéria
como nova jornada
ao homem resta militar
cada nova madrugada
as da matéria conhecida
as que permitam inventa-la
na madrugada
o poema acorda
martelando verbos
na memória
no trânsito do sonho
o sono tremula
palavras embrulhadas
em sua luta
ao poeta resta o levante
da retórica disputa
a propriedade
jaz imprópria
própria contração
de sua lógica
tudo que a tem
é a retórica
fazê-la refém
de privada forma
até que dada a noção
pulsa-la como coletiva
desembocando o futuro
no vão imenso da vida
o poema gravita
entre o verbo
e a vida
tudo que o tem palavra
respira
o coração do poeta
em contradita
joga-se estrofe
em gramática lida
tudo que lhe conjuga
é o verbo em que acredita
insisto
curvas de mim
existo
retas que me curvam
transito
móvel humano
irrestrito
amores e matéria
em que me admito
a vida confabula o mundo
em todos seus indícios
a história
discurso de tudo
armazena o tempo
nas veias do mundo
a matéria avulsa
derramada nos fatos
desenha futuros
em seus contratos
ao homem resta trafegar
as ruas de seu rastros
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.