Lembrança IV
boiando no rio
o menino voava
dando como pássaro
tudo que sonhava
mansa corrente
penteava a vida
ajustava a paisagem
nos olhos à deriva
a natureza
sexto sentido
espalhava no tempo
o gosto do infinito
Do povo recorrente
o povo
ainda dói em tudo
como fora flecha
cravada no mundo
nada
do que seja o tempo
deixará de tê-lo
impunemente
o povo é manifesto
de tudo que se sente
matéria que lhe tange
no vão da consciência
Material vazão
a matéria
usina a lida
trânsito recorrente
das tentativas
âmbito de seu rumo
de ser contradita
dialética razão
de suas investidas
a matéria reza em si
a concreta fala da vida
Dos tratos da vida
o mundo
é larga usina
construção humana
em matéria prima
grávido processo
ventre holístico
oitiva de átomos
em largo armstício
guerra informal
de todos os indícios
o verso é só rescaldo
desse grave exercício
Pássara comitiva
pássaro
voo meus sentidos
até dizer-me íntimo
das alturas que consigo
o que as asas dizem
é só um comício
das lonjuras que sinto
quando me infinito
povoo meu tempo
voando comigo
o poema é só um jeito
de aterrisar tudo que sinto
Das ondas e visagens
surfista
nado em mim
todas as ondas
quando me invado
as que me sonham
as que me nadem
quando me sonho
dou-me à paisagem
a prancha é o poema
o mar é o que me invade
Das vigências em geral
pelas calçadas
a noite joga
a madrugada
o homem
em chão e sono
dorme a fome
humano e tempo
abraçados
vigem a matéria
em seus percalços
Indígena trama
indígena
a natureza inventa
todas as tabas
em que se tenha
cerzida aos homens,
sua consciência,
como se fora isca
do pensamento
a matéria abarca o futuro
proprietária do tempo
ilimites da humana saga
o horizonte
é só um distrato
do alcance dos olhos
e o tamanho dos braços
abraçar o infinito
nos desvãos dos fatos
é vaga humana
posta na vontade
inventar os desejos
é apenas um contrato
Clandestina cena
na sala
com jeito de praça
os homens se escondem
em suas falas
o verbo
trânsito inato
alinhava no tempo
o ponto dos fatos
a vida navega
grandes mares
na jangada lúdica
da clandestinidade
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.