Líquida saga
no rio que entorna
a água argumenta
conversando líquida
a vida que inventa
alisando a terra
em lúdico conchavo
construindo a gesta
da humana jornada
a água é só instrumento
da matéria em sua saga
Do inato tempo
voar o futuro
em seus compassos
os que de si trafegam
nas veias do passado
os que dizem a vida
pela força dos braços
construção infinita
da humana praça
o tempo exato da matéria
é um desejo inato
Poema em naval instância
dos verbos
soltos no tempo
lavrem-se discursos
do pensamento
nos mares da vida
o poema é navegante
trama naval das letras,
do poeta e do horizonte
o poeta
é só marujo
que no convés do verso
dá-se ao mundo
Gagarin em voo manso
o Camarada Gagarin
ainda existe no céu
como assinatura
autógrafo azul
dos futuros da luta
borda a memória
nas nuvens que posta
piloto do infinito
nas naves da história
os sonhos do homem ainda voam
a urgência lógica de astronauta
Do caos em cena
o caos, jeito da matéria,
pulsa a crise, suas réguas
contradição explícita
dos futuros que leva
a consciência
degrau congênito
perscruta o caos
em seus intentos
é como se fora pesca
nos mares do tempo
dos espaços infinitos
do pensamento
Material trajeto
a matéria insiste
o que em si navega
esse trazer-se vária
em única guerra
tramitação do futuro
passados vividos
como fora um arrebol
noite infinita
a matéria como tudo
é sua própria lida
caber-lhe como consciência
traz o homem à deriva
do contrato da vontade
o otimismo
é só um rito
conformação da matéria
dos limites do infinito
dá-lo aos braços
como exercício
é construir um tanto
de todos seus indícios
a vontade lavra o futuro
como concreto comício
Das vertentes respostas
balas guardadas
na culatra da vida
delatam o sistema
em tê-las construídas
nas fomes armadas
nos palcos consentidos
o homem apenas destrava
o teatro dos sentidos
matéria construindo o repente
do futuro que se usina
Da humana sina
campo de si
comícios da vida
no trâmite das horas
o homem exercita
um jeito de matéria
em sistêmica lida
tudo que lhe tem humano
é a urgência coletiva
de entender-se povo
nas guerrilhas da vida
Sonhada gesta
como fora sonho
deu-se à consistência
de trafegar a matéria
como consciência
cerzido a neurônios
em sinapses lúdicas
fez-se insistência
de possíveis absurdos
jogou-se no poeta
em retórica lavra
no fingir-se infinito
na parcimônia da fala
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.