Sanhauá em corrente
serpente líquida
cama fluida da história
o Sanhauá avança itinerante
atiçando o curso das horas
como se ávido e vário apontasse
o vão inato da memória
Parahyba ainda renitente
solfeja um tempo largo
com a vida assim debruçada
no vau exato dos seus passos
Das ilações poemáticas
o poema
é um falar dançante
tudo de seus passos
vive seus rompantes
o poema
é um falar gritante
das rasuras da vida
das ranhuras do homem
o poeta
nos verbos que consome
é um astronauta verbal
tentando abraçar o horizonte
Poema em andanças
o poema
é fala latente
tangendo o universo
dentro da gente
tece neurônios
rendeiro diverso
ensaboa palavras
nos banhos do verbo
o poema é transeunte
das estradas que sente
atalhos da alma
que a vida comenta
Da luta inacabada
todas as vias
rastros do povo
marcam o mundo
em alvoroço
a fome nas veias
senda intransigente
mascara o tempo
da sanha do sistema
atos da matéria
nessa guerra intensa
de construir a vida
com a consciência
Poemeto em larga fala
o poema vaga
encena palavras
larga em cena
sua batalha
talha o verbo
na sacra fala
de tanger neurônios
pelo céu da alma
o poema grava
no coração do poeta
como fora festa
os verbos que lavra
Do Rio Neva corrente
o Rio Neva
olhava Leningrado
vau recorrente
das margens do povo
em sua corrente
a paisagem pulsava
no vão das retinas
como um quadro largo
nas costas da vida
desse passado
vigem nesgas urdidas
alinhavadas no tempo
dos futuros à vista
Onírica metragem
o tamanho do sonho
instaura a medida
derrama distâncias
nas léguas da vida
dá-lo a fato
há que tê-lo em braços
como se fosse futuro
com ares de passado
tê-lo constante
na relatividade
deixá-lo escravo
de toda liberdade
Da militância vital
militar a vida
é só um transcurso
que a matéria dá a si
inventando o futuro
usina do tempo
espaço em ofício
despejar de todos
das sobras do infinito
militar a vida
é deixá-la tanta
pela estrada coletiva
de cada militante
Gaza em trânsito
Gaza
ainda ferida
intromete a vontade
pela vida
o povo
imitando o tempo
adormece as horas
nos sentimentos
as bombas
apenas vomitam
a face apodrecida
da farsa sionista
Das vazões humanas
o pensamento, a vida
declaram
as veias das ruas
são os caminhos da alma
trazê-los consumidos
assim irrestritos
é inventar os modos
de construir o infinito
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.