caserna literária
o poeta é soldado
apenas lava
o meio fio verbal
das ruas da alma
sua continência
é a palavra
escondendo em si
o segredo da fala
toda razão de sua vida
é vestir a inata farda
Poema em tese
o poema
é concreto
infinitos que pretende
nos seus versos
dá-se aos sentidos
verbais argumentos
bordando palavras
pelo pensamento
o poema, em tese,
é simples manifesto
discurso do poeta
em seu protesto
Cantata ensimesmada
o violino
como armistício
espalha bemóis
pelo infinito
os do universo
os que estão comigo
a saudade
como um grito
lateja a manhã
pelos sentidos
Poema em tração acrítica
o poema
laça a palavra
aval dizente
posto na fala
curso adstringente
das brechas da alma
o poema
mais que literatura
é verbo continente
dos oceanos da rua
ondas derramadas
no vão das criaturas
Dos termos do sonho
o sonho
é jeito da vontade
desenho do tempo
nos gestos em que cabe
etéreo
dá-se à contingência
de resvalar nos fatos
pela consciência
da-lo a termo
no colo da vida
é despejar-se inteiro
nessa onírica lida
Correntes da saudade
o menino
penteando o riacho
inventava sonhos
boiando nas águas
a paisagem
em trânsito íntimo
jogava pelas margens
pedaços do infinito
hoje
como um alarde
o riacho volta a correr
no colo da saudade
Iemanjá em trânsito
Iemanjá
viaja ao oceano
dos rios da África
lavada nas ondas
energia lúdica
dá-se ao desfastio
de afagar os homens
no largo dos seus ritos
flui como indumentária
nos laivos de ausência
como um súbito compasso
das coisas da consciência
Jornada humana
depois do tempo,
assim à deriva,
a matéria dar-se-á
o vão da vida
e nos fará genéricos
em todas as medidas
aquilo que foi tanto
da humana liberdade
restará infinito
nos restos da saudade
Da morna tristeza
no meio do frevo
a tristeza se esconde
no riso dos pés
em que o povo se tanje
como fora um abraço
escrito nos homens
derramado no mundo
cantando as avenidas
o frevo amorna a tristeza
atravessado na vida
Corredeiras vitais
a vida
escorre na idéia
músculo transeunte
da matéria
afaga neurônios
exatas peças
confabular dos fatos
em sinapses e gestos
a vida é cachoeira intensa
nos saltos em que se convenha
trançada na vontade larga
dos ímpetos da paciência
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.