Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a fábula, na prática,
é encontrar o ritmo
lúdico da alma
joga-la no mundo,
única, como arma
e deixar-se outro
como norma exata
a fábula, como curso,
é um futuro construído
que o homem leva nas mãos
vivendo o infinito
a energia
engravida o mundo
desde a gesta do nada
às vésperas de tudo
matéria fantasiada
em cursos reticentes
desfiles do futuro
às vistas do presente
a energia é discurso
palavra escondida
construção flutuante
das entrelinhas da vida
o infinito
era um oito deitado
esperando que a matéria
se desse ao lapso
de alem de símbolo
demonstrasse ser fato
no caderno
em matematica frase
a integral fingia
resquicios da verdade
o tempo era só espaço
em que cabia a tarde
quando morro
ainda vivo
todas as mortes
em que me tive
as que morri sozinho
as que vivi coletivo
quando morro
apenas sobrevivo
todas as contradições
das vias do infinito
nada do que morro
é apenas grito
na cachoeira
o rio gargalhava
todas as razões
de suas águas
líquido abraço
da matéria em tanto
como se fora passo
da terra em dança
o menino
ouvindo o mundo
achava que o sonho
era o tempo de tudo
em legítima defesa
a vida pulsa
todas as vias
de tornar-se luta
a que traz no peito
a que jaz na culpa
em legítima defesa
a vida recorre
de todas as mortes
em que morre
o tempo
preso no relógio
rende a paciência
em cada volta
estranha vazão
de suas horas
tudo que lhe mede
transcurso estranho
são minutos grávidos
de sofrimentos e ganhos
até que o homem corra
nos ombros do mundo
apenas como um tempo
de todos em tudo
quando a noite coube
no colo da madrugada
o sol espreguiçou-se
o dia deu-se à fala
como se fosse discurso
que o tempo declara
os jovens ainda reunidos
estalando dedos no aplauso
argumentavam a vida
na balsa das palavras
como se a vida fosse
uma clandestina liberdade
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.