Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
dado assim a termos
no cartório da vida
expeçam-se os fatos
no vão dos sentidos
como fora programa
da matéria em seu rito
arquivar o mundo
dá-lo a seus rumos
estrada humana
da construção do futuro
as certidões da vida
atiçam o mundo
no degrau do pensar
o amor transita
todas as razões
que admita
no degrau da emoção
o amor palpita
todos os sentidos
em que habita
no degrau do sentir
como usina
o amor constrói
todas suas rimas
no degrau da saudade
ainda consumido
o amor dói na razão
como um intenso infinito
o programa
vivido da matéria
é manter-se tanta
em tantas eras
as que se foram
as que a esperam
dada ao homem
sujeito navegante
o tempo rasga a si
no espaço pulsante
refregas das demarchas
dos laços que avance
no rio
líquida insistência
a vida boiava
mansamente
o menino
infante barco
navegava a si
lúdico espaço
o mundo
assim corrente
inventava sonhos
impunemente
a história
ruminando a vida
tecia suas rugas
pelas avenidas
relâmpago
o comício dizia
os trovões do povo
e suas trilhas
o jovem camarada
bebendo a tarde
revolvia a emoção
posta nas palavras
a matéria
em plena passeata
discursa o mundo
com seus átomos
mágica da razão
na quântica postura
disfarça seus quarks
em intensa luta
ver-se construído
na razão de tanto
é abraçar o infinito
e a pequenez do gráviton
estender os metros da vida
nos partos do futuro
viver a multidão que somos
nos braços do mundo
dado assim a tanto
nas ondas dos sentidos
o homem arquiva unânime
o tempo gasto da vida
as horas tidas alheias
as inteiramente cometidas
dado assim a tanto
tramitando a memória
o homem desarquiva
o coletivo das horas
mergulhando a vida
do convés da história
em militar postura
Mihail saudava
no vão do aeroporto
os viajantes camaradas
Mihail Egorovitch
rindo, pelos corredores,
discursava ao vento
as cervejas em que coube
Mihail Egorovitch
sempre demonstrava
a soviética razão
de sua fala
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.