Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o leito do poema
rio confuso
enchente de verbos
em busca do mundo
o barco do poeta
navegando as horas
pesca palavras
com a isca da memória
as veias do tempo
nas brechas dos sentidos
dizem no poema
a jusante da vida
a saudade voa
nave desgarrada
em cada pássaro
pela madrugada
o homem
agarrado ao tempo
inventa o passado
singrando os ventos
nas asas da paisagem
impunemente
a saudade infinita a vida
embrulhada no presente
as Áfricas que possam
acordar na vontade
discursam humanas
inata liberdade
manhã da matéria
tentando a tarde
adormecida
noite orquestrada
negra a razão de tanto
inventando madrugadas
o tempo vige a áfrica
em tudo que caiba
o futuro
quando coletivo
mede sempre mais
que os sentidos
dá-lo como repente
trai os seus indícios
tudo do tempo
cheira a infinito
cabe-lo na razão
lupa cognitiva
é deixá-lo estrada
das sinapses da vida
a fala do sonho
súplica quântica
comício neural
desejos em dança
rastros do mundo
sinapses arguidas
croqui humano
desenhos sentidos
cada sonho entoa
os bemóis que decida
na fartura vivente
dos palcos da vida
a fronteira do tempo
dada, assim, ao infinito
deixa restos de saudade
abraçados aos sentidos
arquivado nos olhos
cada gesto das horas
arrumado fortemente
no colo da memória
a saudade transgride
no roçado do peito
qualquer leirão da lógica
tudo que lhe cabe
é habeas corpus
dado ao cangaço
o poema expressa
as balas verbais
que arquiteta
espingarda retórica
pontarias do verbo
dá-se aos rompantes
de seus manifestos
cangaceiro falante
entoa estrofes
sonhando as léguas
dos sertões que pode
e quando fosse o amanhã
um tempo garantido
na precisão da vontade
na prontidão dos sentidos
como se fosse desenho
nas lonjuras do infinito
e pudesse ter-se intacto
no sonho consentido
das avenças de todos
com a fartura do riso
na brincadeira geral
do que fosse construído
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.