Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a palavra
como grito
arquiva o homem
nos sentidos
molotov verbal
dá-se ao rito
explosão de si
inconsumida
o verbo como arma
no trânsito humano
aguarda, ainda sonoro,
o silêncio do mundo
o destino
no poeta
é estar itinerante
quando verbo
trama substantiva
laivo subjacente
de quem vê o tempo
inadimplente
palavras correm a vida
nos aceleradores
que consentem
os freios do infinito
são verbos reticentes
tudo do que tanto
seja assim a vida
cachoeira do mundo
posta nos sentidos
repto humano
aos limites do infinito
antes do que nada
esteja consentida
matéria itinerante
enfeitando-se de vida
abraçada nos homens
intensamente construída
o tempo
rasurado
flagra a vida
veia material
via magra
história consentida
contração humana
contrato assentido
das vias de fato
escondidas
o habeas corpus do tempo
cabe inteiro nas avenidas
a solidão assim
nunca haja
quando sejam multidões
dentro da alma
estreito da vida
dê-se ao rompante
estar indivíduo
mesmo figurante
das ruas do povo
múltiplo habitante
a pluralidade de si
é singular militante
Sebastião
fotografado
deu-se ao infinito
como retrato
a história
enquadrada
arquiva imagens
na madrugada
Sebastião
agora sem máquina
fotografa o mundo
com a alma
pássaro de mim
dou-me ao voo
em todas as asas
que construo
as achadas no tempo
as compostas por todos
dá-las aos ares
rasantes presumidos
restam como enfeites
no vão dos sentidos
voar-me é só um jeito
do sonho que consiga
intrusa
como tanta
largue-se a vida
nessa sanha
forja do tempo
marcha coletiva
humana construção
múltipla, íntima
rasgo itinerante
matéria em fuga
ruas da paz
nos passos da luta
a vida diz encruzilhadas
nos comícios que decida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.