Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a chuva
molhava o tempo
afogando a tarde
anoitecendo
a lua
ainda reticente
riscava o horizonte
mansamente
o jovem
iludindo a vista
riscava o futuro
no vão da vida
o tempo era só um gesto
arrumando os sentidos
quando seja o tempo
apenas a medida
balaustrada dos homens
na brincadeira da vida
construído engenho
da matéria em curso
ruminando as vielas
postas no futuro
universo largado
na brecha dos olhos
seara do cérebro
nos olhos do todos
junto à estátua
frente a proposta
o jovem, agora recrutado,
jogava o mundo nas costas
o futuro
beliscando as ruas
adoçava a vontade
embrulhada na luta
a vida, agora
brilhava nos olhos
atravessando a história
no tambor de crioula
há uma África escondida
dançando o ventre do povo
dando palpite na vida
nas estradas dos pés
voam todos os sonhos
nas falas do tambor
discursando o encontro
mulher, homem, universo
abraçados no tempo
constroem todas as tranças
capazes do pensamento
saco a manhã
no rastro da tarde
fingindo um tempo
que me guarde
rota humana
em que me basto
o tempo agora
quando me invade
admite todos os cedos
em que eu me tarde
a palavra
resvala
todos os verbos
em que cala
dá-se a entrelinha
como lavra
tentativa humana
de burla-la
o mundo
dado a ouvidos
entrelaça suas letras
pelos sentidos
a palavra como arma
é movediça
como fosse tanta
quanto precisa
a vida deu-se à matéria
como investida
consumo farto do tempo
células construídas
assim dados à gerência
dessa revolução edificada
permita-se aos homens
sancionarem sua saga
a matéria pulsa humana
os vincos da estrada
a onda voluptuosa
deu-se à liberdade
de transformar o mar
em mero detalhe
essa ânsia de molhar
os ombros da tarde
a praia conformada
intensamente reprimida
jogava no jovem
as ondas da vida
cachoeira do tempo
quase infinita
no tranco da palavra
ritmo fortuito
o poema navega
os ares do discurso
rumina o mundo
dado a repentes
entrelinhas de verbos
substantiva nascente
dos ombros do poeta
como escopeta
joga-se manifesto
embutido nas letras
tudo que o conjuga
é um verbo contrito
das léguas palmilhadas
do poeta consigo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.