Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Severino vigia humano
ainda assim vacilante
como se a vida doesse
em tê-la militante
os raiares do dia
inundavam a cidade
quando pôs-se andante
nas ruas da cidade
deu-se assim ao mundo
nessa ginástica renhida
de ter como carpados
todos os saltos da vida
a tarrafa
linha bordada
abraçava o açude
e a madrugada
na balsa
ainda sonolento
o menino boiava
no jeito do tempo
a vida sonhava
como brincadeira
no colo das águas
a Palestina
ainda pulsa
o coração de Hind
do sonho e da luta
menina
do rio ao mar
a vida futura
a grande sina
Gaza desenhada
na memória instintiva
de quem se constrói
nos fiapos da vida
quando a dor estiver revolta
no colo exato dos sentidos
dê-se à vida o transcurso
das larguras do infinito
como se fora estrada
que contivesse no grito
sempre a melhor risada
do futuro consentido
é que a dor é só trajeto
da construção permitida
na humana obra do tempo
em que seja proibida
por estarem todos conjugados
nas passeatas da vida
o lapso de tê-la embutida
no imo largo do peito
é só a perspectiva
de cada humano trejeito
de lançar o tempo na vida
como se fosse um jeito
e emoldurar a vida
com todos seus efeitos
os construídos na carne
os definidos no tempo
o poema
além de fala
é trejeito cogente
do vão da alma
ao poeta
impunemente
resta a palavra
como sobrevivência
o verbo
é só o lastro
do que sente
o bemol
entrava no ouvido
como um recado largo
do infinito
os olhos
como vagas naves
desenhavam o amor
pela paisagem
tudo que fora tanto
deixa-se exato
na fluidez humana
de quem se invade
a vida
voo lúdico
é o tanger da matéria
em seu curso
nesse dar-se privada
mesmo quando pública
as asas são os braços
humana engenharia
nesse dar-se ao futuro
em todas as medidas
a vida percorre o tempo
como viatura consentida
em todos os caminhos
em que esteja vivida
quando a dor estiver revolta
no colo exato dos sentidos
dê-se à vida o transcurso
das larguras do infinito
como se fora estrada
que contivesse no grito
sempre a melhor risada
do futuro consentido
é que a dor é só trajeto
da construção permitida
na humana obra do tempo
em que seja proibida
por estarem todos conjugados
nas passeatas da vida
o lapso de tê-la embutida
no imo largo do peito
é só a perspectiva
de cada humano trejeito
de lançar o tempo na vida
como se fosse um jeito
e emoldurar a vida
com todos seus efeitos
os construídos na carne
os definidos no tempo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.